“Devo ter feito alguma coisa em torno de 4 milhões só para o ministro Lobão”

Eis o resumo do JOTA do depoimento de Flávio David Barra, da Andrade Gutierrez, ao TSE, no processo de cassação da chapa Dilma/Temer:

“Ex-presidente da área de energia, Barra afirmou que os dois interlocutores principais para lidar com a propina decorrente do contrato da Usina Nuclear Angra III era ministro Edison Lobão para o PMDB e João Vaccari para o PT. A porcentagem distribuída era a seguinte: 2% para o PMDB, 1% para o PT e em torno de 1,5% distribuídos entre executivos da Eletronuclear.

Questionada do valor ‘elevado’ de 4,5% de propina, Barra afirmou que para que o contrato não sofresse intempéries adicionais, se aceitou compor esse acordo.

‘Existia uma dificuldade enorme em se empreender o projeto da usina nuclear. E o recurso que a empresa precisaria mobilizar seria muito grande e ela estava sozinha. Então, quando houve essa demanda – acredito eu, porque eu não participei – por parte de agentes políticos e também da diretoria, eu acredito que tenha se decidido por aceitar esta condição, isso, evidentemente, era retirado da margem da empresa, porque o contrato era extremamente vigiado pelos órgãos de inspeção do governo federal, por exemplo, o TCU – não se dava um passo, não se assinava aditivo de prazo, qualquer que fosse, sem o aval do TCU, principalmente.’

‘Devo ter feito alguma coisa em torno de 4 milhões só para o ministro Lobão – de 4 a 4,5 a 5 milhões’, afirmou.