Duas velocidades

O Antagonista entende a pressa dos leitores.

Nós também temos pressa. Queremos o impeachment de Dilma Rousseff. Ou sua renúncia. Hoje. E queremos que Lula seja punido imediatamente. Melhor ainda: preso.

O processo criminal, porém, anda devagar.

Veja, por exemplo, o caso de Renato Duque, um dos operadores do esquema do PT na Petrobras. Ele está com um pé na cadeia. Não tem como escapar. Mas o Ministério Público ainda nem o denunciou, porque os procuradores continuam a colher provas contra ele. Ontem citamos o depoimento de um dos delatores da Lava Jato, que confessou o pagamento de propina a Renato Duque. Pois bem: esse delator só assinou seu acordo com o Ministério Público em meados de fevereiro.

O caso dos dois executivos da Camargo Corrêa é ainda mais emblemático. Eles nem deram seus primeiros depoimentos. Mas já se sabe, em parte, o que pretendem dizer: que a empreiteira pagou 100 milhões de reais em propinas ao PT e ao PMDB.

A linha de defesa do PT é simples: dizer que todo o dinheiro doado pelas empreiteiras foi registrado. Se os empreiteiros disserem que esse dinheiro doado foi fruto, na realidade, de um acordo criminoso, Dilma Rousseff cai. Porque o presidente da Camargo Corrêa não trata com o tesoureiro de um partido ou com o diretor de uma estatal – ele trata com quem manda.

Portanto: o Petrolão não acabou com a lista do Janot. E o Eletrolão está pronto para decolar.