É o Temer

Uma frase condena Michel Temer:

“É o Rodrigo”.

Leia o comentário de Helio Gurovitz:

“Para qualquer um dotado de um mínimo de bom senso, uma única frase dita na famigerada conversa com o empresário e delator premiadíssimo Joesley Batista – sobre a qual não paira dúvida alguma em nenhum dos laudos periciais, nem mesmo no encomendado pela defesa – é suficiente para incriminá-lo: ‘É o Rodrigo’. Reproduzo, da denúncia, o trecho do diálogo:

– … é o Rodrigo.

– É o Rodrigo? – pergunta Joesley.

– O Rodrigo – reafirma Temer.

– Ah, então ótimo.

– Pode passar por meio dele, viu? (…) da minha mais estrita confiança.

Alguma dúvida de que Temer tenha indicado o ex-deputado Rodrigo Loures – da sua ‘mais estrita confiança’ – como intermediário a Joesley?

Alguma dúvida de que Loures depois recebeu, numa mala, R$ 500 mil em propinas – que ele mesmo devolveu?

Alguma dúvida de que negociou com o executivo e delator Ricardo Saud entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão por semana – atenção: por semana !!! – em troca da aprovação de uma medida favorável ao grupo de Joesley no Cade?

De que depois telefonou ao presidente em exercício do Cade, Gilvandro Vasconcelos, com a demanda?

Não há nenhuma dúvida, lógico. Tudo isso está gravado e documentado. Temer dirá que o dinheiro não era para ele, assim como também dirá que não era para ele o R$ 1 milhão que Saud diz ter mandado entregar ao coronel aposentado João Baptista Lima, na empresa Argeplan, na Vila Madalena, em São Paulo, na época das eleições de 2014.

As manobras acrobáticas de sua defesa tentarão transformá-lo de líder de um poderoso grupo político, flagrado em ato de corrupção, em vítima de uma armadilha. Para isso, desprezarão todas as provas recolhidas na delação e as gravações de Loures. Concentrar-se-ão – em preito à mesóclise… – na única prova recolhida contra Temer em pleno exercício de seu mandato: a gravação feita por Joesley”.