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É preciso tirar a PM do buraco bolsonarista

O ex-comandante da PM de São Paulo acusou o bolsonarismo de instaurar o caos e defendeu a prisão dos policiais golpistas
É preciso tirar a PM do buraco bolsonarista
Reprodução: Facebook/Jair Bolsonaro

O coronel Glauco Carvalho, ex-comandante da PM na cidade de São Paulo, disse que “o bolsonarismo usa todos os instrumentos para instalar o caos”.

E acrescentou:

“É o que tem de mais indecente na vida pública do país”.

Em entrevista para o Estadão, o coronel disse também que seu colega, Aleksander Lacerda, que fomentou o golpe em 7 de setembro, deveria ser preso:

“É preciso diferenciar oficial da ativa do oficial da reserva. O da reserva, até certos limites, pode se manifestar, ter vida partidária. O da ativa tem limitações severas em decorrência do papel na sociedade, por ele portar armas. Tratando-se de um oficial da ativa, o fato é de extrema gravidade. Quero salientar que o coronel Aleksander é meu amigo. Foi meu aluno no Curso Superior de Polícia; é um bom oficial. A despeito disso, fico com a lei, com os princípios e os valores da instituição. Ele tem de ser severamente punido sob o ponto de vista administrativo e sob o ponto de vista penal-militar. Se não, vamos instalar a balbúrdia na instituição. O Brasil está de ponta-cabeça. É surreal. E vejo coronéis querendo contemporizar… A tropa precisa ver que o bumbo bate no pé direito. Fosse em outras épocas, ele estaria preso, para dar exemplo para a tropa (…).

Para uma instituição que se diz militar, o afastamento é punição muito tênue, pelo menos para nós, militares acostumados à vida da caserna. Se o comandante pode ser apenas afastado, o cabo também não deve ser punido. Se ficar só nisso, abrimos a possibilidade de ações de indisciplina se alastrarem. E vou além: nessas circunstâncias, apesar de meu apreço ao Aleksander, a punição tem de ser pública para que, de recruta ao coronel, todos vejam que a PM não tolera esse tipo de atitude. Democracia não implica libertinagem, em falar o que você pensa e acha sobre autoridades constituídas ocupando uma das funções mais importantes da instituição.”

Sobre o alcance do golpismo bolsonarista dentro da PM, ele disse:

“Na minha vida, fui submetido a governos com os quais eu não concordava, mas isso não implica a defesa de golpes ou pegar em armas para a derrubada de governos. Chegamos a um momento em que a insatisfação decantou e Jair Bolsonaro se tornou o líder de uma causa. O bolsonarismo se alastrou. Tenho amigos que se tornaram defensores do presidente. É preciso entender o que houve. Não basta só criticar as PMs. Precisamos tirar as PMs desse buraco.”

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