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É tudo do Centrão. É tudo também de Arthur Lira

O todo-poderoso presidente da Câmara levou seu grupo político para dentro do Palácio do Planalto e vai comandar as liberações de R$ 11 bilhões em 2022
É tudo do Centrão. É tudo também de Arthur Lira
Foto: Alan Santos/PR

Arthur Lira, que está tirando uns dias de descanso em Alagoas, está radiante, segundo aliados.

O deputado que derrotou o grupo de Rodrigo Maia e assumiu o comando da Câmara no início deste ano é apontado como um dos responsáveis por “levar o Centrão para a base do governo” de Jair Bolsonaro.

Bolsonaro assumiu prometendo negociar com “frentes parlamentares”, e não com partidos. Em maio de 2019, como recordamos há pouco, bolsonaristas foram às ruas contra o Centrão. O PSL, legenda pela qual se elegeu, rachou logo no início do governo e o presidente ficou sem base de apoio no Parlamento.

Coube a Lira “ocupar vácuo de poder”. O líder do PP e expoente do Centrão começou a movimentar seu grupo nos bastidores e, quando a pandemia começou, aproximou-se de vez do Palácio do Planalto, acompanhado, por exemplo, do presidente do seu partido, o senador Ciro Nogueira, e de Valdemar Costa Neto, dono do PL.

Foi nessa época que Lira tirou selfies com Bolsonaro e, apresentando-se como o anti-Rodrigo Maia, garantiu do presidente o apoio para disputar a Presidência da Câmara.

O alagoano venceu as eleições internas e passou a controlar a pauta do país, prometendo a Bolsonaro ignorar os mais de 100 pedidos de impeachment do presidente da República.

De lá para cá, também ajudou a fortalecer o chamado “orçamento paralelo”. Com a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) aprovada na semana passada, junto com o “golpe do fundão”, Lira vai liderar a distribuição de R$ 11 bilhões de emendas de relator em 2022, ano eleitoral.

Ele conseguiu, ainda, emplacar na Secretaria de Governo sua aliada, a deputada federal Flávia Arruda (PL), casada com o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, que chegou a ser preso no exercício do mandato. A Secretaria de Governo é “a chave do cofre” do Executivo, onde são negociadas as emendas parlamentares.

Agora, Lira festeja a iminente ida de Ciro Nogueira para a Casa Civil, o “coração” do Planalto. É tudo do Centrão. É tudo também de Lira.

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