“É um tremendo mau-caráter”

Uma notícia não teve o enfoque justo na imprensa: a primeira sessão do STJ foi marcada por um bate-boca entre o presidente do tribunal, Francisco Falcão, e o ministro João Otávio de Noronha.

Falcão, segundo os jornais, deu a entender que não era hora de levar adiante o projeto, defendido por Noronha, de construção de um prédio para uma escola de magistrados, orçado em 40 milhões de reais.

“Só no Brasil que essas coisas sonham acontecer”, disse Falcão.

“Mas comprou dez carros novinhos, o mais caro possível, com teto de vinil. Comprou só dez, que beneficiavam o presidente e seu gabinete. Em um orçamento de contingência”, respondeu Noronha.

Franciso Falcão, então, afirmou que Noronha queria comprar ainda mais carros.

“Um mau-caráter desses vem me provocar na sessão”, comentou Noronha, com o microfone aberto.

Nesse clima pesadão, teve início o julgamento de um mandado de segurança de um dos 12 funcionários acusados de um desvio milionário na área de tecnologia do tribunal, supostamente ocorrido sob a presidência de Felix Fischer. Falcão não queria que Noronha votasse porque é testemunha de defesa de outro acusado.

“Só quero dizer que vou fazer o meu voto e está dentro do meu prazo de vista ainda. Foi constatado que não sou testemunha (do funcionário que entrou com o mandado). Não cabe esse bate boca aqui, o que prova que os funcionários têm razão: há uma perseguição. É um tremendo mau-caráter”, disse Noronha.

“Ministro Noronha, mau-caráter é Vossa Excelência. Me respeite”, devolveu Falcão.

Noronha acabou se retirando.

Por que a notícia não teve o enfoque justo? Porque os jornais trataram como um episódio protagonizado por simples desafetos. Desafetos, eles são. Mas o motivo principal é oque interessa. Fosse pela vontade de Francisco Falcão, indicado por Renan Calheiros e José Sarney, os réus da Lava Jato estariam soltos.

Esse é o subtexto da troca de gentilezas entre os dois ministros, bem como do tiroteio em curso na administração do tribunal.

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