Eleitorado brasileiro não é apenas de ‘coxinhas e mortadelas’

No artigo que escreveu para o El País sobre o cenário eleitoral de 2018, o estrategista Marcello Faulhaber explicou que não se pode dividir o eleitorado brasileiro apenas entre direita e esquerda.

Segundo ele, a maioria dos analistas erra ao aplicar esse modelo unidimensional. Na melhor das hipóteses, separam o eleitor “em esquerda, centro-esquerda, centro, centro-direita e direita”.

“Esse tipo de segmentação funciona muito bem em alguns países desenvolvidos. No Brasil, esse tipo de correlação é absolutamente falsa – mesmo no ambiente polarizado das redes sociais que tende a reduzir as pessoas a ‘coxinhas’ e ‘mortadelas’.”

Faulhaber prefere segmentar esse eleitorado em quatro grandes grupos: 1) eleitores com valores conservadores que preferem (ou precisam de) um Estado grande; 2) eleitores com valores liberais que preferem (ou precisam de) um Estado grande; 3) eleitores com valores conservadores que preferem um Estado pequeno; 4) eleitores com valores liberais que preferem um Estado pequeno.

“Nossas elites políticas se dividem entre os ‘liberais do Estado grande’ (‘a esquerda’) e os ‘conservadores do Estado pequeno’ (‘a direita’). Já as maiores fortunas e as lideranças dos principais grupos empresariais do país (o establishment) que, em larga medida, tem forte influência sobre a mídia, identificam-se com valores liberais e preferem um Estado pequeno (com exceção da conta de juros, evidentemente).

A última pesquisa que realizei, indica os seguintes percentuais para cada um desses segmentos do eleitorado: 55% para os ‘conservadores do Estado grande’, 23% para os ‘liberais do Estado grande’, 16% para os ‘conservadores do Estado pequeno’ e apenas, 6% para os ‘liberais do Estado pequeno’. Esses percentuais nos demonstram o porquê da maioria da população se sentir tão pouco representada, seja por nossas elites políticas, seja pelos mais importantes veículos de comunicação do país.”

Para o estrategista, Lula (apesar do PT), Bolsonaro, Doria, Alckmin e Ciro são candidatos que se posicionam exclusivamente em um polo de um eixo específico e são difusos no outro eixo.

“Lula e Ciro são os champions do ‘Estado grande’; Bolsonaro e Alckmin são os champions dos valores comportamentais conservadores; e Doria é o champion do ‘Estado pequeno’ – não por acaso até muito recentemente, era o mais querido do mercado financeiro.

Huck, Marina e Joaquim Barbosa são candidatos ‘camaleônicos’: conseguem expressar imagens e discursos variados dependendo do público. Eles podem, por exemplo, ser percebidos por eleitores das classes C2, D e E como ‘conservadores do Estado grande’ e simultaneamente, serem percebidos como ‘liberais do Estado pequeno’ pelos eleitores das classes A, B e C1. No mundo de hoje, a figura que mais classicamente encarna esse tipo de posicionamento é a chanceler alemã, Angela Merkel: a líder que há mais tempo comanda um país democrático no mundo.”

 

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Ler 42 comentários
  1. Explicação miito complexa. Grande parte da população simplesmente vai votar em quem não esteja ligado à processos da LavaJato, incluindo partidos inteiros, se for o caso. Eu por exemplo não votarei em PT e PMDB, independentemente de quem for o candidato. PSDB também está comprometido por causa do Aécio e do apoio ao Temer. E é claro queo povo já percebeu que o congresso não mais o representa faz tempo. Ninguém aqui é otário. Buscaremos a renovação em 2018.

  2. A chance de existir “conservadores” entre os que preferem Estado grande é nula. Ainda por cima, atribuir a esta faixa, que não existe, a porcentagem de 55% do eleitorado, é estapafúrdio.
    Dizer que alckmin é conservador nos costumes, só se for nos costumes da casa da mãe joana, onde apoiar mst e similares é atitude de elevada moral!
    Dona melancia e joaquim não são camaleões. SÃO COMUNISTAS ASSUMIDOS e não podem ser definidos por ninguém como conservadores.
    O cafetão não é um camaleão. É lobo em pele de cordeiro, da matilha de george soros e fhc. Dória já entrou na pref. de SP em campanha p/18. Ñ dá pra acreditar numa palavra. Cospe em lula e lambe o reverso da mesma moeda temer.
    2018 ensinará muita coisa ao sr. faulhaber enrolão, se tivermos eleições limpas, naturalmente!

  3. Essa definição pode se aplicar a uma parcela dos brasileiros.Mas ha muitos que desejam apenas benefícios do governante, bolsa família ( Lula), lotes ( Joaquim Roriz), distribuição de pão e leite( muitos prefeitos), ou R$ 50 no dia da eleição ( muitos políticos dão). Para essas pessoas pouco importa o que esses políticos pensam, como agem…Por isso que a corrupção chegou a esse ponto.

  4. Poisé, temos os coxinhas, os mortadelas, e o resto é tudo bananeiro b.u.n.d.a-mole que adora futebol, cerveja, carnaval, feriados prolongados e todas as benesses de ser um banana-mor tupiniquim.

  5. Toda essa enrolação para acabar falando que huck, marina e joaquim seriam camaleões, rsrs.
    Podem falar o que quiserem, porém sou mais Doria, ainda mais, que Doria é o único capaz de unir partes do psdb, ao pmdb, dem, pp, pr, prb, psc, psd, conseguindo assim, o maior tempo de TV, o maior número de cabos eleitorais, e Doria ainda é considerado um nome novo e com maior potencial de crescimento e de trânsito entre todos os grupos.

  6. Usou-se 5.000 litros de desinfetante.
    Por volta de 1.000 faxineiros tiveram que limpar.
    A limpeza da Praça da Estação foi feita ontem.
    Além de limpar, precisou-se:
    esfregar, lavar, desinfetar, purgar, borrifar, depurar, assear,
    esterilizar e jogar muita água; muita mesma.
    Trabalharam ininterruptamente 1.000 homens!
    O cheiro fétido insurportável de mortadela rançosa que se impregnou na praça da Estação era enorme. Os transeuntes não estavam aguentando, mesmo depois de 48 horas após a Caravana do Lula passar pela cidade. Uma fedentina putrefata horrorosa de mortadela.

    O bodum repugnante entranhado. Esse cheiro pestilencial deve ter saído da pele das pessoas presentes. O problema é que impregnou e embebeu toda a praça de um cheiro
    bolorento do próprio bafo do demônio, por dias!

  7. Minha classificacao é muito mais concisa: existem aqueles q mamam nas tetas do Estado e os q pagam a conta da festa dos mamadores.
    Infelizmente, temo q o primeiro grupo se expandiu tanto nos últimos 16 anos, q o Brasil alcancou o ponto de ñ retorno. Hoje, neguin é coletivista (versao do comunismo do século 21) sem perceber. Nao sao capazes de juntar causa e consequência.
    Por exemplo: Que é preferível, pagar teus estudos universitários por 5/6 anos ou pagar mais impostos por 60 anos? Neguin idiota defende a segunda opcao e paga estudo de vagabundos.

  8. Essa história de liberal no social mas não na economia é outra idiotice (o tal do “líbrôl” americano). É simplesmente algo fictício. Você tem liberdade para se entupir de drogas, abortar, mas não pode negociar seu trabalho diretamente com o patrão, que é para te proteger do capitalismo selvagem? É uma ideologia furada, paradoxal.

  9. Não creio que a maioria seja conservador do estado grande, pelo contrário, acho que a maioria é conservadora de estado pequeno. Já ouvi muita gente no trem reclamando que estatais deveriam ser privatizadas.

    1. Fale para esta gente do trem que o governo não deveria controlar o preço do gás, do táxi, das escolas, da internet, dos planos de saúde, de qualquer coisa. Aí vc vai descobrir se o sujeito gosta ou não de estado grande.
      A maioria fala em privatizar estatais porque acha que não afeta a vida dele. Na hora que falam em liberdade de preços, se arrepiam todos.

  10. Isso é basicamente o “political compass”, que, de fato, faz MUITO mais sentido do que a divisão retardada em “esquerda” e “direita” feita pelos jornalecos panfletos de partido.

    1. Se o “political compass” ao qual você se refere é aquele testezinho que ficou popular na Internet, trata-se de outra porcaria também. Esse teste é criação de uns ativistas de esquerda britânicos e é extremamente tendencioso.

    2. Também acho aquele political compass totalmente nonsense. Liberal do estado grande, what the fuk is that? O que seria esse estado grande? Muitos serviços públicos tipo Noruega? Ou seria um estado fascista onde tudo é proibido/regulado? Não tem como ter “liberdade econômica” em um cenário deste. Já o arranjo norueguês só é possível por se tratar de um país avançado economicamente e civicamente. Não é uma questão de vontade política implantar o modelo norueguês no Brasil.

  11. Talvez agora que os eleitores conservadores do estado grande perceberam que nossos políticos tem suas tendencias a direita e a esquerda mas a maioria participa de uma grande coalizão na hora de dividir as fatias do estado grande para assaltá-lo sem dó nem piedade, espera-se que esses percentuais se modifiquem. O aspecto ideológico sempre é deixado de lado na hora de buscar algum recurso para a região da base do parlamentar. Também há uma grande contradição difícil de transpor é que ninguém se diz de direita abertamente e a maioria se diz de esquerda mas na prática praticam assistencialismo.

  12. Ele ganhou quanto para escrever este “grande artigo”. Estamos perdidos, como se não bastasse a imprensa querer jogar nomes ridículos para nós, ainda existem os “incríveis estrategistas “.

  13. O Brasil nunca mudará se deixar pt/psdb discutindo só economia e micando nos demais assuntos, que são mais numerosos e problemáticos pra nossa realidade. Quem discute só esse tema geralmente é uma negação, em proporção aí sim real e muito maior, em geopolítica estratégica e internacional, contra-revolução cultural/ética/moral/ideológica/educacional contra a esquerda, e não conhecem os potenciais turísticos, minerais, e humanos do Brasil. No mais, seja ele pt, pp, psdb, pmdb, psb, pps, rede, pcdob, psol, e todos esses “pês”… Enéas já dizia, é “falsa a briga entre eles”. Diferente entre todos os presidenciáveis? Só Jair Bolsonaro, que leva votos dos tipos 1 e 3 de eleitor. Por isso ele cresce, segundo essa análise:

    sensoincomum.org/2017/11/03/forca-eleitoral-jair-bolsonaro/

  14. Eu sou liberal do pequeno estado.
    Por um simples motivo, quanto maior o peso do estado na economia, mais pobre é o país.
    Lembrando aos imbecis de esquerda e direita que o que define um estado rico ou pobre é como vivem seus pobres.
    Porque os ricos vivem bem em qualquer país.
    Isso sem levar em consideração a corrupção. Quanto maior o peso do estado, mais influencia e poder estão nas mãos dos políticos, mais dinheiro, mais desvios, enfim, é exatamente o que temos hoje no Brasil.
    Se privatizaram tudo, bb, eletrobras, petrobras, o que ganharemos? Eficiência. Menos corrupção. Menos poder de políticos. E principalmente, competição e melhores serviços e produtos.
    Como os políticos roubarão nesses cenário? Com as agências de regulação, e só.
    Ou sendo sócios. Vide a Oi.

  15. Liberal do Estado grande??? Isso não existe!!
    A não ser que ele esteja considerando o sentido americano de “liberal”… o que não faz sentido no Brasil.
    Da mesma forma, onde ele encaixa toda a esquerda jurássico-mesozoica viúva da Guerra Fria que ainda infesta o Brasil? “Conservadores do Estado grande”?
    Me desculpe… mas essa análise está furada… até concordo que a diferença ideológica no Brasil é meio “borrada”… mas a esquerda vetusta é a mesma do resto do mundo – não é “conservadora”. E “liberal do Estado grande” é digno do saci cruzar a perna…

    1. Depende de como você entende estes termos. O termo liberal aqui quer dizer “liberal no âmbito comportamental” (confortável com casamento gay e ateísmo, por exemplo). Você está tomando estes termos como se tivessem sentido único e não se pudesse discuti-los com conotações diferentes. Você pode muito bem ser conservador do ponto de vista dos costumes e entender que o estado grande é uma necessidade econômica.

    2. Acho que quando eles usam a palavra “liberal”, estão se referindo às pessoas liberais no sentido social, não econômico. Enfim, acho… Se tem algo que aprendi nos últimos anos, é que esses especialistas falam mais bobagem que qualquer outra coisa.

  16. Ah…. Sabe qual o problema do Brasil e dos Brasileiros (Jornalistas, estudiosos, cientistas políticos e demais sabichões), É que o Brasil é um país amplamente discutido!… mas é somente discutido. Ação que é bom, NADA!

  17. Faltou falar onde foi que esse JUMENTO, ASNO, BURRO, CAVALO, IDIOTA, ANIMAL fez essa pesquisa. Acabei de ler uma Matéria com M maiúsculo no senso incomum do Filipe G. Martins que desmente 100% do que esse IMBECIL falou.

    1. Liberais nos costumes – esquerdinhas militantes do aborto, drogas e LGBTQXYZ – e que ADÓGAM um estado grande com uma teta (ou falo) enoooorme pra chamar de seu.
      Capisce?