“Eles, os políticos, é que comprometiam a democracia com o cancro da corrupção”

Miguel Reale Jr. desbanca em artigo no Estadão o vitimismo de Lula, Dilma Rousseff, Michel Temer e demais políticos investigados.

A Polícia Federal, o Ministério Público e o Judiciário, segundo Reale, “apenas agiram a partir da notícia de crime que lhes foi dada” nas “delações de empresários corruptores”.

“Não são tais investigados perseguidos políticos, mas políticos corruptos, que com sua reiterada conduta se colocaram debaixo da incidência da lei penal.

O que se pretendia fosse feito pelo Ministério Público e pela magistratura? Diante da avalanche de líderes da sociedade política envolvidos em crimes graves, cumpriria aos juízes e promotores prevaricar para manter hígida a ‘harmonia’ entre Poderes? (…)

Sejamos claros: a persecução penal de comportamentos criminosos de agentes políticos relevantes não compromete a democracia. Ao contrário. Eles, os políticos, é que comprometiam a democracia com o cancro da corrupção, traindo seus deveres elementares.

E não apurar a corrupção sabida é corroer ainda mais a democracia, pois significa anuir com os atos delituosos, incentivar a sua prática, passar à população o exemplo da sua permissão, apenas por se tratar de pessoas do andar de cima, da classe dirigente.”

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