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Em 2016, Teich chamou 'pílula do câncer', projeto de Bolsonaro, de 'populista'

Em 2016, Teich chamou pílula do câncer, projeto de Bolsonaro, de populista
Foto: Câmara dos Deputados

Em seus sete mandatos e 28 anos como deputado federal, Jair Bolsonaro conseguiu a aprovação de apenas dois projetos de lei. No caso do mais famoso, o da pretensa ‘pílula do câncer’, ele nem sequer foi o primeiro a ter a ideia.

O deputado federal mineiro Weliton Prado, então no PT e hoje no PROS, apresentou em outubro de 2015 um projeto sobre a fosfoetanolamina sintética. Bolsonaro apresentou o seu em 23 de fevereiro do ano seguinte. Dois dias depois, o colega Celso Russomanno também entrou na roda.

Pouco depois de Dilma assinar a nova lei, e antes de o STF suspender sua validade, Nelson Teich foi um dos entrevistados pelo jornal especializado Medscape.

Disse na época: “[é] uma decisão política e populista que quebra um processo estruturado de avaliação de medicamentos. Uma coisa, porém, precisa ficar clara: você, como médico, está lá para orientar o paciente. Se ele quer fazer uso da substância, é um direito dele. O que me preocupa é que somos um país pobre, no qual a Saúde não é uma prioridade governamental. Usar algo que não tem comprovação científica é uma escolha individual. O que não acho justo é onerar o sistema público de saúde querendo que o governo distribua a substância. Se o paciente quiser ele tem direito de usar, mas deve pagar por ela com recursos próprios.”

Em um de seus últimos atos como presidente, Dilma assinou a lei da ‘fosfo’, publicada em 13 de abril de 2016. De pouco adiantou.

Em maio de 2016, por 6 votos a 4, o STF deferiu liminar em Ação Direta de Inconstitucionalidade proposta pela Associação Médica Brasileira (AMB). O relator, Marco Aurélio Mello, entendeu que o Congresso violou a separação de Poderes, já que o registro de medicamentos cabe à Anvisa.

Na reportagem que acompanha o depoimento de Nelson Teich ao Medscape, há este trecho:

“Questionados diariamente por seus pacientes sobre a fosfoetanolamina, e orientados pela Associação Médica Brasileira (AMB) e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) a não prescreverem o produto – decisão com a qual todos os entrevistados concordam – os médicos contaram ao Medscape que é preciso um trabalho de formiguinha, com muita conversa, para convencer os pacientes de que “pílula do câncer” ou “fosfo” não é o milagre propagandeado nas redes sociais. Recordando o exemplo da talidomida, que produziu uma geração de crianças brasileiras com focomelia, especialistas avaliaram a decisão como política, precipitada, equivocada e perigosa, mesmo para quem já não tem possibilidade terapêutica (…)”.

Qualquer semelhança não é mera coincidência.

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