Em defesa contra impeachment, Witzel diz ser um 'outsider' e culpa subalternos

Em defesa enviada hoje à Alerj no processo de impeachment, obtida por O Antagonista, os advogados de Wilson Witzel responsabilizaram o ex-secretário de Saúde, Edmar Santos, e o subsecretário Gabriell Neves pelos pagamentos milionários a organizações sociais investigadas por desvios na saúde do Rio.

Na peça, a defesa diz que Witzel não ordenava despesas nem “se imiscui na rotina diária de cada secretaria”. Afirmou que a Unir Saúde e a Iabas não têm ligação com o empresário Mário Peixoto — juntas, as duas entidades receberam R$ 283,3 milhões do estado.

“Não há uma linha sequer a apontar que o Governador efetivamente sabia de fraudes supostamente cometidas nos processos de contratação do IABAS, nem que ele teria participado das atividades das pessoas que supostamente cometeram os atos (o Sr. Edmar Santos e o Sr. Gabriell Neves, v.g.) e nem que ele teria beneficiado a UNIR, com a decisão por ele proferida”, diz a peça de defesa.

Witzel foi afastado do mandato pelo STJ pela suspeita de receber, por meio do escritório da primeira-dama, Helena Witzel, R$ 554 mil em propinas de empresas e organizações sociais controladas por Mário Peixoto, segundo investigações do Ministério Público Federal.

Na defesa, os advogados dizem, por três vezes, que Witzel era um “outsider” na política.

“Neófito na política, de origem simples, vida modesta e de formação jurídica, tanto Wilson Witzel quanto sua mulher desconheciam ou, ao menos, conheciam muito pouco, o universo político brasileiro ou fluminense, bem como as pessoas, aí incluídos políticos e empresários, que sobre ele orbitam”, diz o documento.

A defesa afirma que o patrimônio dele e da mulher “resume-se a uma casa no Grajaú/RJ, além de uma nada relevante poupança”. Diz ainda que o governador afastado é filho de uma empregada doméstica e de um metalúrgico e que Helena, sua ex-aluna na faculdade de direito, atua em “demandas judiciais e consultorias, como advogada”.

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