ENTREVISTA: "A PEC não obriga voto no Davi", diz Rose de Freitas

ENTREVISTA: “A PEC não obriga voto no Davi”, diz Rose de Freitas
Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Por telefone, a senadora Rose de Freitas (Podemos) disse a O Antagonista que deve conseguir nas próximas horas protocolar sua PEC que, se aprovada, permitirá que Davi Alcolumbre tente a reeleição na mesma legislatura — o que hoje é claramente proibido pela Constituição e pelo regimento interno do Senado.

Ela negou que esteja atuando sob orientação do senador do Amapá e afirmou que é preciso levar em conta “a conjuntura política”. A senadora do Espírito Santo também afirmou que não considera a nota do Podemos divulgada ontem como “uma nota do partido”, mas, sim, do líder da bancada, Alvaro Dias.

Leia a entrevista:

Como a senhora avalia a reação do partido à sua PEC?

Eu não sei quem assinou essa nota. Não considero que tenha sido uma nota do partido. O Alvaro é contra a reeleição [do Alcolumbre], mas eu já tinha manifestado que iria fazer essa PEC. Não estou avaliando isso como uma nota do partido. Repito: não sei quem assinou. Eu entendi mais como uma comunicação do Alvaro. Na democracia, é assim: cada um pensa de uma maneira.

Foi o Davi quem pediu que a senhora apresentasse essa PEC?

Eu fui contra a candidatura do Davi. Manifestei meu voto contra ele na época [no início de 2019]. A manifestação do STF sobre esse tema, em algum momento, vai acontecer. Mas tem a manifestação do STF e tem também a manifestação do Congresso.

Mas ele pediu à senhora?

Não, já lhe respondi que não.

A senhora não teme reeleições ad eternum no Senado com a aprovação dessa PEC?

Não, porque a proposta só permite a reeleição uma única vez [mudando o entendimento e permitindo a reeleição na mesma legislatura]. A reeleição é um instrumento democrático e não tem risco disso [reeleições ad eternum] nesta Casa. Estamos vivendo um momento político diferente de todos. A PEC não obriga voto no Davi, não é um voto compulsório nele. Vamos para o âmbito democrático: você vota no Davi ou em outro candidato. Não é compulsório.

A senhora aprova a gestão do Davi?

Tem que tirar o olhar das pessoas, para discutir mais adiante: a conjuntura política do momento que estamos vivendo. Gosto da atuação dele. Ele não ultrapassa o exercício do poder dele e tem capacidade de juntar os senadores.

A senhora vai mudar de partido? Vai para o PSD, como se tem ventilado nos bastidores?

Não estou pensando nisso agora.

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