ENTREVISTA: relator do auxílio emergencial diz que, inicialmente, governo avaliou que a proposta 'quebraria o país'

ENTREVISTA: relator do auxílio emergencial diz que, inicialmente, governo avaliou que a proposta quebraria o país

Jair Bolsonaro, segundo o Datafolha divulgou na semana passada, alcançou seu melhor índice de popularidade desde o início do governo — em plena pandemia da Covid-19 e em meio ao casamento com os enrolados do Centrão.

Observadores da cena política, como já registramos, creditam ao auxílio emergencial o aumento da aprovação ao governo Bolsonaro.

O Antagonista conversou com o deputado Marcelo Aro, do PP de Minas Gerais, que foi o relator do projeto do auxílio emergencial na Câmara.

Ele voltou a dizer que o governo federal, inicialmente, defendia o valor de R$ 200. E revelou que integrantes da equipe econômica diziam que ele “quebraria o país” se aprovasse um valor superior.

Para Aro, não há dúvidas de que o auxílio emergencial é o responsável pelo aumento da popularidade de Bolsonaro. O deputado afirmou, ainda, que o presidente está “com a faca e o queijo na mão” para ocupar o lugar que um dia foi de Lula no Nordeste.

Leia a íntegra da entrevista:

Quem é o responsável pelo auxílio emergencial de R$ 600 que está sendo pago durante a pandemia?

O auxílio emergencial foi criado pelo Congresso Nacional por meio de um texto que eu relatei na Câmara. Inicialmente, como todos sabem, o governo queria pagar R$ 200. Depois, eles sugeriram R$ 300. Eu não aceitei a proposta do governo. Foi um embate na época. O clima ficou tenso. Eles diziam que eu iria ‘quebrar o país’.

Fomos para o plenário para aprovar o projeto sem os votos do governo. De última hora, quando eu já estava lendo o relatório, o governo decidiu apoiar meu texto. Foi feito, então, um acordo e eu propus o valor de R$ 600, que foi aprovado por unanimidade no plenário.

Naquele momento, o governo sabia que perderia no voto. Ficaria muito feio se eles votassem contra o auxílio emergencial. Foi exatamente a pressão que conseguimos construir em torno do texto que levou o governo a ceder e a querer construir um acordo. O mérito do sucesso do auxílio emergencial é de todos os envolvidos. Foi uma proposta minha, que teve a adesão de todos os deputados e senadores e também, mesmo que tardia, do governo federal.

O senhor credita ao auxílio emergencial o aumento da popularidade do presidente?

Não tenho dúvida alguma sobre isso. Tenho até brincado com os ministros do Bolsonaro que eles me devem muito por causa disso. Eu sabia que isso iria acontecer. É dinheiro na veia da economia. É realidade imediata na vida de milhões e milhões de famílias. É o maior programa social da história do nosso país.

O presidente esteve nesta semana no Nordeste pela terceira vez em menos de dois meses. O senhor acha que o auxílio emergencial poderá fazer com que ele ocupe um lugar que era de Lula na região?

Com certeza. E ele sabe disso. O Lula virou ‘o Lula’ porque se credenciou como ‘o pai do Bolsa Família’. O auxílio emergencial é algo ainda mais impactante e transformador. O Bolsonaro está ‘com a faca e o queijo na mão’ para ocupar esse espaço. E temos que reconhecer que ele está aproveitando muito bem essa oportunidade.

A popularidade de Bolsonaro se manterá em alta após o fim desta primeira parte do pagamento do auxílio emergencial?

Só depende dele. Tenho conversado semanalmente com interlocutores do governo Bolsonaro. Eu torço para que o país dê certo. Para o Bolsonaro manter essa popularidade em alta, ele precisará focar no programa de renda básica. Já disse isso a ele: aproveitar o momento, que é propício, para planejarmos um auxílio aos mais necessitados após a pandemia. Com planejamento e organização, isso dará ao presidente a popularidade que ele tanto deseja e ainda elevará positivamente a nossa economia. A fórmula está pronta. Todos sairão ganhando: o governo, os mais pobres e o país como um todo.

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