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Bolsonaro: "Esse vírus é como uma chuva. Vai atingir você"

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Ao anunciar que está com Covid-19, Jair Bolsonaro comparou o novo coronavírus a “uma chuva”.

“Muita gente tem morrido em casa. Não vai ao hospital porque tem medo de pegar o vírus. O pânico também mata. O que eu posso falar para todo mundo, e eu já dizia no passado e era criticado, é que esse vírus é como uma chuva. Vai atingir você. Alguns, não. Alguns têm que tomar mais cuidado com esse fenômeno, vamos assim dizer. As pessoas de certa idade com problema de saúde, uma vez contaminado [sic], a chance de óbito é grande. Acontece.”

Bolsonaro também falou sobre o início dos sintomas, no fim de semana.

“Começou no domingo, com uma certa indisposição, e se agravou na segunda-feira, com cansaço, indisposição e febre de 38 graus”, disse. “Fui fazer uma tomografia no hospital. A equipe médica decidiu dar hidroxicloroquina e azitromicina. Como acordo muito durante a noite, depois da meia-noite eu senti uma melhora. Às 5 horas da manhã, tomei a segunda dose da cloroquina. Estou me sentindo perfeitamente bem.”

Ele disse ainda que pensava que já tinha sido infectado.

“Confesso que eu achava que já tinha pegado lá atrás, tendo em vista a minha atividade muito dinâmica perante a população. Eu não fujo da minha responsabilidade nem me afasto do povo. Gosto de estar no meio do povo.”

Durante o anúncio de que havia sido infectado pelo novo coronavírus, Bolsonaro voltou a dizer que houve “superdimensionamento” da gravidade da doença.

“No meu entender, houve superdimensionamento. Sabemos da fatalidade do vírus para aqueles que têm certa idade, como eu, acima de 65 [anos], bem como aqueles que têm comorbidades. […] Vamos tomar cuidado, em especial com os mais idosos e os que têm comorbidade. Os mais jovens tomem cuidado, mas, se forem acometidos do vírus, fiquem tranquilos porque para vocês a possibilidade de algo mais grave é próxima de zero. […] Temos que nos preocupar com o vírus? Sim. Mas também com a questão do desemprego, que está aí.”

Desde o início da epidemia no Brasil, Bolsonaro já fez pouco caso do novo coronavírus inúmeras vezes. A declaração mais lembrada — sobre a “gripezinha” — foi dada no dia 24 de março, em um pronunciamento em rede nacional. “Pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar. Nada sentiria ou seria acometido, quando muito, de uma gripezinha ou resfriadinho”, disse o presidente, enquanto panelaços eram ouvidos em várias capitais do país em protesto contra Bolsonaro.

Alguns dias depois, o presidente afirmou que era preciso enfrentar o vírus “como homem”. “Essa é uma realidade, o vírus está aí. Vamos ter que enfrentá-lo, mas enfrentar como homem, porra. Não como um moleque. Vamos enfrentar o vírus com a realidade. É a vida. Tomos nós iremos morrer um dia.”

Em abril, ao ser perguntado por um repórter o que ele tinha a dizer sobre as mortes por Covid-19 no Brasil, Bolsonaro respondeu: “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre. […]  Lamento a situação que nós atravessamos com o vírus. Nos solidarizamos com as famílias que perderam seus entes queridos. A grande parte eram pessoas idosas. Mas é a vida. Amanhã vou eu”.

No dia 10 de junho, enquanto falava com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro se irritou com uma mulher que o cobrava a respeito das mortes causadas pela doença no país. Ele pediu que ela cobrasse “do seu governador”.

Dois dias antes, no Twitter, ele escreveu: “Lembro à nação que, por decisão do STF, as ações de combate à pandemia  ficaram sob total responsabilidade dos governadores e dos prefeitos”.

Atualização feita em 07/07/2020, às 16h45.

Foto: Adriano Machado/Crusoé

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