Estadão: “O ano da maturidade”

O Estadão publica um excelente editorial sobre 2016, definido como “O ano da maturidade”.

Eis alguns trechos:

“Foi o ano em que, em absoluto respeito à ordem constitucional, o Congresso interrompeu o mandato de Dilma Rousseff, uma presidente que, entregando-se ao mais rasteiro populismo, estava danificando seriamente a capacidade econômica do País… Para efeitos legais, o impeachment baseou-se em um punhado de decisões irregulares de Dilma, mas isso não foi obstáculo para que muitos a julgassem pelo chamado “conjunto da obra”. E que obra.

O Brasil, sob Dilma, retrocedeu uma década. A indústria parou, o comércio quebrou, os empregos sumiram, o crescimento virou recessão. A inflação disparou, os juros subiram, as agências de classificação de risco rebaixaram o País e a dívida pública explodiu.

Restou a Dilma dizer-se honesta, embora isso não fosse mais do que sua obrigação. A devastação moral resumida pelos processos da Lava Jato contrastava fortemente com os protestos de inocência e pureza da presidente. De qualquer maneira, o Congresso não se comoveu com suas alegações e, antes que o País quebrasse definitivamente, retirou a presidente do cargo. Em seu lugar, assumiu oficialmente, em 31 de agosto, o vice-presidente Michel Temer, com a promessa de acabar com a irresponsabilidade que havia tomado conta do Palácio do Planalto.”

Mais:

“Lula da Silva, o chefão petista que ameaça se candidatar de novo à Presidência, repisa a ladainha de que é preciso ‘colocar o pobre de volta no Orçamento’, como se isso dependesse apenas da vontade de um governante. A fragorosa derrota do PT nas eleições municipais é um excelente indicador de que tal impostura começa a perder terreno para a racionalidade econômica, o que só pode ser considerado um avanço.

E ainda:

“Do mesmo modo, 2016 mostrou que o País não tolera mais a corrupção na administração pública, outra característica da trajetória petista no poder. Antes da Operação Lava Jato, tinha-se a impressão de que a corrupção era, para os brasileiros, uma espécie de destino. Nada neste país parecia funcionar sem que uma comissão fosse paga a algum agente público, e os cidadãos, apáticos, sentiam-se de tal modo impotentes diante de tal situação que a toleravam e a entendiam como inevitável.

Mas a Lava Jato expôs didaticamente aos pagadores de impostos como funcionavam as engrenagens da roubalheira e, mais que isso, tornou públicos os nomes e sobrenomes dos corruptos, colocando muitos deles na cadeia. A visão de um punhado de empresários e políticos que estavam entre os mais poderosos do Brasil em uniforme de penitenciária, pagando pesadas penas em razão de seus crimes, espantou uma audiência até então cética a respeito da Justiça e deu à maioria da população a certeza de que nada será como antes.”

Não se iluda, André Singer: nada será como antes.

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