Estados rebatem governo sobre hospitais de campanha

Estados rebatem governo sobre hospitais de campanha
Foto: Alan Santos/PR

Secretarias de Saúde de vários governos estaduais informaram nesta segunda (1º) sobre a situação de hospitais de campanha em seus estados.

As secretarias responderam a perguntas de O Antagonista. O tema voltou ao debate com o agravamento da pandemia no Brasil e publicações de bolsonaristas nas redes.

O vereador Carlos Bolsonaro, por exemplo, publicou neste domingo (28) no Twitter: “Aonde foram parar os bilhões de reais e hospitais de campanha enviados pelo Governo Jair Bolsonaro a estados e a municípios?”. O ministro Fábio Faria publicou logo em seguida: “Desmontam os hospitais de campanha, vão pra Miami “sem máscara” comprar na Gucci, fazem coletiva todos os dias que ngm (sic) suporta mais e quebram a economia sem o menor pudor”.

O discurso bolsonarista é uma reversão da posição adotada no ano passado. Em junho, Bolsonaro pediu aos fãs para “arranjarem uma maneira de entrar” e gravarem vídeos em hospitais de campanha, “para mostrar se os leitos estão ocupados ou não”.

As respostas dos estados são tão variadas quanto as políticas públicas. Alguns governos estaduais não fizeram hospitais de campanha, preferindo aumentar a oferta de leitos em hospitais já existentes. Dos que tiveram hospitais de campanha no ano passado, alguns pretendem reativá-los; outros, não.

Em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (1º), o secretário de Saúde do governo paulista, Jean Gorinchteyn, afirmou que hoje três hospitais de campanha funcionam no interior. “Hoje os hospitais de campanha deverão ocorrer dentro das unidades hospitalares, até porque nós precisamos de UTI, mais do que as próprias enfermarias”. 

Gorinchteyn prometeu anunciar na próxima quarta (3) novas ações para aumentar o número de leitos, mas ressaltou que a medida não basta. “Não adianta abrir mais leitos”, disse. “Nós precisamos que a população mude o comportamento”. O secretário relembrou que São Paulo recorreu ao STF para obrigar o governo federal a custear leitos de UTI no estado.

A Secretaria de Estado de Saúde do Rio informou que “os hospitais de campanha administrados pelo estado já foram desmobilizados e não serão reativados”. O hospital no Maracanã operou com 400 leitos e o de São Gonçalo com 40 leitos.

A secretaria fluminense acrescentou que ampliou a rede dedicada ao tratamento da Covid-19 em 989 leitos, sendo 390 de UTI adulto e 599 de enfermaria nas unidades estaduais, a partir de incentivos do estado. Além disso, “[n]ão houve abertura de leitos em janeiro e fevereiro devido à redução da fila de espera. No domingo (28/02), a taxa de ocupação de leitos de UTI na rede SUS no estado foi de 79,5% e, em enfermaria, 58%”.

A secretaria de Saúde de Minas Gerais informou que “não há qualquer previsão de reabertura do Hospital de Campanha”. O governo montou em 2020 um hospital no centro de convenções Expominas, em Belo Horizonte, que nunca foi usado.

A secretaria mineira acrescentou que desde o início da pandemia, “mais que dobrou o número de leitos – os de UTI passaram de 2.072 para 4.085 e os de enfermaria de 11.622 para 20.878”.

A Secretaria da Saúde do Espírito Santo informou que “a estratégia adotada no Estado para o enfrentamento da pandemia foi investir na expansão de leitos em estruturas hospitalares já existentes, ampliando semanalmente a capacidade de atendimento aos pacientes Covid-19 a partir da contratualização com a rede filantrópica e privada, além da antecipação de obras já previstas na estrutura da rede própria (sem a construção de hospitais de campanha)”.

Atualmente, o Espírito Santo oferece 1 343 leitos exclusivos no SUS para o tratamento da Covid-19, sendo 694 de UTI e 649 de enfermaria.

A secretaria de Saúde do Distrito Federal afirmou que o Hospital de Campanha do Estádio Mané Garrincha foi desativado em outubro, em um momento em que a ocupação dos leitos estava abaixo do esperado.

Porém, continuam em funcionamento os hospitais de campanha de Ceilândia e da PM.

A secretaria do DF também informou trabalhar na ampliação da oferta de leitos de UTI. “Já estão disponíveis 36 leitos”, disse em nota, e “[h]á previsão de que outros 100 leitos sejam mobilizados até sexta-feira (5)”. A ‘mobilização’ é a transferência de leitos não dedicados a pacientes com Covid-19 para enfrentar a pandemia. Na sexta-feira (26), o DF chegou a ter apenas um leito vago para paciente com Covid-19.

A secretaria de Saúde do Amazonas informou que “o Governo do Estado optou em substituir o Hospital de Campanha previsto no Plano de Contingência pela reativação de um hospital privado – o Hospital da Universidade Nilton Lins, por este já ter toda a estrutura pronta para a instalação”.

O hospital foi usado na primeira fase da pandemia e, com a redução no número de casos, foi desativado em julho de 2020. Ele foi reativado em janeiro.

A secretaria amazonense tambem informou que “[e]m parceria com o Exército Brasileiro e com apoio do Ministério da Saúde, uma enfermaria de campanha com 57 leitos também foi aberta em 27 de janeiro de 2021, no estacionamento do Hospital Delphina Aziz, referência para a Covid-19”.

“A SES-AM informa que com a queda nas internações em fevereiro e com a oferta de cerca de 200 novos leitos exclusivos para Covid-19 na rede pública, nas últimas semanas, o número de pacientes aguardando remoção de um leito de menor complexidade para um leito de maior complexidade reduziu de mais de 600 no final de janeiro para 90 neste domingo (28/03), conforme o boletim da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM)”, acrescentou a nota.

O número de internações, acrescentou a secretaria, caiu 47,8% neste domingo (28) em relação ao fim de janeiro, de 2 804 para 1 461 internados.

A Secretaria da Saúde de Roraima informou ter aberto o Hospital Estadual de Retaguarda no fim de janeiro, onde funcionou o Hospital de Campanha operado pelo Exército. O local “possui uma estrutura composta por 120 leitos clínicos”.

A Secretaria da Saúde do Ceará informou ter colocado para funcionar seis hospitais de campanha: dois no interior e quatro em Fortaleza. Os hospitais “não foram desmontados em nenhum momento” e contém leitos de enfermaria, todos colocados ao lado das estruturas de hospitais estaduais.

A Secretaria da Saúde da Bahia destacou o anúncio do governador Rui Costa (PT), na última sexta (26), de que o hospital de campanha na Arena Fonte Nova será reativado. O hospital funcionou até outubro. Costa disse em coletiva nesta segunda (1º) que 195 pacientes com Covid-19 aguardam na Bahia por um leito de UTI. O edital para a reativação contempla 200 leitos, sendo 100 de UTI.

A Secretaria da Saúde do Paraná, como a do Espírito Santo, também informou ter optado por ativar leitos em unidades hospitalares já existentes, “e também acelerar obras de três hospitais estaduais para leitos exclusivos Covid”.

“O Paraná ativou, e continua ativando, leitos de forma escalonada desde março de 2020, quando os primeiros pacientes precisaram de cuidados intensivos e suporte respiratório”, diz a nota.

A Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul informou que “a estrutura hospitalar gaúcha é bastante potente e qualificada e com capacidade de prestar o atendimento qualificado aos usuários do SUS, situação esta que se comprovou ao longo desses quase 12 meses de pandemia com uma ampliação de mais de 112% no número de leitos de UTI”.

“Alguns municípios criaram hospitais de campanha apenas com leitos para atendimento e observação de paciente (sem ser de UTI)”, acrescenta a nota.

As secretarias de Saúde de Goiás, Rio Grande do Norte e Santa Catarina não responderam a O Antagonista até a publicação desta reportagem.

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