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Exclusivo: estudo coordenado por brasileiro vai comparar 3ª dose de Coronavac e AstraZeneca

Pesquisa conduzida por professor Bruno Filardi em parceria com Yale vai por à prova estratégia de Doria de usar Coronavac como dose de reforço
Exclusivo: estudo coordenado por brasileiro vai comparar 3ª dose de Coronavac e AstraZeneca
Foto: Myke Sena/MS

Um grupo de pesquisadores liderado pelo professor Bruno Filardi obteve autorização nesta quinta (9) para realizar um estudo que vai comparar os efeitos de uma dose de reforço da Coronavac com uma da AstraZeneca.

O estudo clínico foi aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), que emitiu parecer obtido em primeira mão por O Antagonista.

A pesquisa vai recrutar 300 voluntários, maiores de 60 anos, que já receberam duas doses de Coronavac. Duzentos deles receberão como dose reforço a vacina da AstraZeneca; os outros 100 receberão uma 3ª dose de Coronavac. Os participantes só saberão qual foi a dose de reforço ao final do estudo.

Os voluntários receberão a dose de reforço na unidade de Ribeirão Preto do Instituto do Câncer Brasil. O link para cadastro de voluntários será divulgado na internet pelo professor Filardi, na segunda quinzena de setembro.

Os pesquisadores vão coletar amostras de sangue em dois momentos: no dia da aplicação da 3ª dose e 30 dias depois. As amostras serão enviadas para os Estados Unidos, onde serão analisadas por Akiko Iwasaki, professora de imunobiologia da Universidade de Yale. Também faz parte da equipe o pesquisador Julio Croda, da Fiocruz, que envasa a vacina da AstraZeneca no Brasil.

Em Yale, as amostras serão submetidas a análises de anticorpos neutralizantes para vírus vivo – com todas as variantes importantes – e análises de imunidade celular, bem mais sofisticadas que os exames disponíveis em farmácias no Brasil.

“Se no final do estudo as pessoas que tomaram Coronavac não tiverem uma imunidade boa – e nós vamos saber disso, né – aí a gente vai oferecer para elas um reforço heterólogo [ou seja, outra vacina]”, disse Filardi a O Antagonista. “Então a pessoa sai do estudo sabendo exatamente qual o nível que ela está de imunidade. E se ela estiver com a imunidade baixa, até por questões éticas a gente vai propor um reforço para essa pessoa que tomou a Coronavac”.

Nota técnica do Ministério da Saúde definiu 15 de setembro como data do início da aplicação de doses de reforço em maiores de 70 anos. A Coronavac não faz parte da lista. O governo de São Paulo, porém, tem insistido na aplicação da Coronavac como dose de reforço.

Para Filardi, a nota técnica do Ministério da Saúde é “muito adequada”.

“[A nota] fala para não usar Coronavac [como 3ª dose] porque é uma hipótese. Sempre vai pelo mais seguro, pelo mais provável. Se o nosso estudo mostrar que pode ser a Coronavac, vai facilitar para muito mais gente”.

O professor acrescentou: “Nós vamos saber com certeza absoluta se essa estratégia do estado de São Paulo de dar a Coronavac [como 3ª dose] vai estar validada pela literatura [científica] ou não”.

Filardi também disse não ter considerado incluir no estudo quem tomou duas doses da vacina da AstraZeneca por não ver necessidade do ponto de vista clínico. “Não consideramos porque a proteção desse grupo, com os dados da Inglaterra, é excelente”.

No Chile, maiores de 55 anos que receberam Coronavac estão recebendo uma dose de AstraZeneca ou Pfizer como dose de reforço.

Leia mais: Estudo preliminar da Fiocruz mostra proteção menor da Coronavac em maiores de 80 anos

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