Exclusivo: Fecomércio-RJ não comprova serviços advocatícios que consumiram 163 milhões

Após a prisão de Orlando Diniz pela Lava Jato do Rio no ano passado, a Fecomércio-RJ sofreu processo de intervenção, com auditoria em dezenas de contratos e convênios suspeitos.

O relatório dessa auditoria, obtido em primeira mão por O Antagonista, aponta repasses superiores a R$ 162,9 milhões a escritórios de advocacia, sem “prova efetiva” da execução dos serviços.

Notificada, a Fecomércio chegou a apresentar notas fiscais, recibos e faturas. Entretanto, não conseguiu “atestar a vinculação dos serviços prestados às finalidades institucionais do Sesc-ARRJ”.

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Além disso, “não foram apresentados os comprovantes de efetivos depósitos, cópia dos contratos e respectivos aditivos, bem como prova da efetiva execução dos serviços”.

Uma “derradeira notificação” foi expedida em vão à Fecomércio-RJ para que apresentasse documentação que corroborasse os serviços alegados.

Esse levantamento agora deverá ser incorporado às investigações da Lava Jato sobre os repasses suspeitos a grandes e médios escritórios de advocacia, alguns vinculados a familiares de desembargadores e ministros de tribunais superiores.

O Antagonista revelou no ano passado que o campeão em recursos da Fecomércio (R$ 68 milhões) na gestão de Diniz foi o escritório de Roberto Teixeira e Cristiano Zanin, advogados de Lula. Fernando Fernandes, que defende Paulo Okamotto, recebeu R$ 4,2 milhões.

A banca de Eduardo Martins, filho de Humberto Martins, atual corregedor nacional do CNJ, obteve R$ 25 milhões, enquanto outros R$ 12,8 milhões foram para a de Tiago Cedraz, filho do ministro do TCU Aroldo Cedraz.

Estão ainda na lista de contratados da Fecomércio os escritórios de Adriana Ancelmo, mulher de Sérgio Cabral, com R$ 20 milhões; Ana Basílio, mulher de desembargador do TRF-2, com R$ 13 milhões, e Paulo César Salomão Filho, sobrinho do ministro do STJ Luís Felipe Salomão, com R$ 4,8 milhões.

A Lava Jato também tem no radar outros escritórios de Brasília mais conhecidos por serviços de lobby.

Em nota enviada ao site, a assessoria da Fecomércio informou que “a atual administração, ao assumir a gestão Fecomércio RJ e Conselhos do Sesc RJ e Senac RJ, determinou a imediata realização de auditoria externa para restaurar toda documentação não encontrada, uma vez que o ex-presidente mantinha os contratos em sua posse”.

“Ao longo dessa auditoria, foi solicitado a todos os escritórios contratados na gestão anterior os relatórios das referidas atividades, os quais foram apresentados ao Ministério Público Federal, à Receita Federal e ao Tribunal de Contas da União, junto com os contratos fornecidos, notas fiscais e comprovantes das transferências bancárias de pagamento.”

Comentários

  • Alex -

    Esse é o motivo do Gilmar Mendes estar sem condições de sequer falar no julgamento hj. O cara só gaguejava...

  • walter -

    O interessante é que não vi na lista o Nome do Gilmar Mendes nem de familiares. Por isto ninguém tem força para derrubar o ministro mais corajoso e odiado do país. Votei no Alckmin

  • Adrian -

    Um dia o corpo bóia .....

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