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EXCLUSIVO: "INTERESSA MANTER O COMÉRCIO COM A ARGENTINA"

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Na quinta e última parte da entrevista com Jair Bolsonaro, o presidente pondera sobre a necessidade de desenvolver o comércio com todos os países e diz que evoluiu na compreensão das relações internacionais.

“O homem evoluiu. A questão do comércio no mundo todo não pode ter um viés ideológico. A minha crítica à China era porque ela não estava comprando no Brasil, mas estava com o viés de comprar o Brasil.”

Ele também comenta sobre a próxima rodada de negociações com a Arábia Saudita, que prometeu investir US$ 10 bilhões no país, e a disputa entre EUA e China pelo mercado brasileiro do 5G.

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O Antagonista – O sr. teve oportunidade neste ano de lidar diretamente com lideranças internacionais. Encarou algumas frustrações, teve que mudar o entendimento sobre outras questões. Qual o balanço que o sr, faz, tendo que atuar nesse tabuleiro geopolítico que tem seus próprios desafios? É mais complicado do que o sr. pensava?

Bolsonaro – O homem evoluiu. A questão do comércio no mundo todo não pode ter um viés ideológico. A minha crítica à China, era porque ela não estava comprando no Brasil, mas estava com o viés de comprar o Brasil. Então, tem que dar uma segurada. Parte da mídia falou que eu estava contra aquele país. Não, tanto é que eu estive agora na China, tive a chance de conversar com o presidente chinês, sem problema nenhum. A China falou, inclusive, em agregar valor aqui. Mas no tocante a energia e poluição. Tem um passivo de saúde aí. Então, tem certas coisas que, para a China interessa, poder agregar valor fora, naquilo que vai poluir menos seu país.Tem que tomar cuidado, mas não quer dizer que você está contra a China. Mas a gente não vai aceitar produzir alumínio aqui para eles. Na questão de economia, investimentos, tem que dar uma diversificada, para que um só país não comece a ter grande influência. Eu evoluí em relação a isso. Agora, diferentemente do PT, Dilma e Lula, nós não priorizamos o viés ideológico. O Mercosul acabou sendo na mão do PT um instrumento, que não estava preocupado com o desenvolvimento.

O Antagonista – Na relação com os EUA, o sr. se decepcionou por não ter uma contrapartida mais forte, apesar dos esforços feitos em relação à Alcântara, vistos etc?

Bolsonaro – Em relação aos vistos, não se trata de uma decisão bilateral. Eles não vêm morar aqui. Não podemos é ficar sem uma receita do turismo, por uma questão de ego ou ideologicamente, como no passado, tendo o americano como um país imperialista. A questão de Alcântara interessa para nós. Ficou parada muito tempo, porque o PT fez o acordo com a Ucrânia, porque a Ucrânia estava no guarda-chuva da Rússia. Começamos a perder dinheiro lá atrás. Fizemos a proposta para o Trump e conseguimos aprovar na Câmara e está no Senado. Foi um pedido conversado com o ministro da Defesa nós integrarmos aquele grupo de aliado extra-Otan. Falei com o Trump, sim. Nós queremos é desenvolver a Amazônia, se tiver empresa interessada. Nós estamos prontos para conversar, passa pelo Parlamento. Hoje em dia, uma parte considerável dos índios quer esse tipo de negócio. Os índios nos Estados Unidos são grandes parceiros dos cassinos. E não podem ser aqui na questão da questão mineral? Estamos de portas abertas para conversações com os Estados Unidos. Agora, nós competimos nas commodities.

O Antagonista – Estamos com problema agora na questão da carne, novamente…

Bolsonaro – O americano quer vender trigo para nós. Mas aí importaríamos menos da Argentina. O governo argentino mudou. Vamos ver quem vende mais barato para a gente. E ver se esse novo relacionamento não atrapalha em outras coisas. Também interessa manter o comércio com a Argentina.

O Antagonista – O sr. teve esse atrito com o Macron em função da Amazônia, mas temos justamente a questão de Alcântara. Eles agora terão concorrência. Isso pesa nesse estranhamento?

Bolsonaro – O problema do Macron foi que ele, como está indo muito mal lá, precisava criar um fato. E quando fala nessa agenda ambiental, tem um sentimento que fala alto. Foi manipulada a questão da Amazônia. Se pegar os 10 meses desses focos de calor, estamos abaixo da média na incidência. No fundo, o que ele queria? Nós temos 14% do território demarcado como terra indígena, e eles querem 20%. Se chega a 20%, inviabilizou o Brasil. Isso interessa a países que concorrem com as mesmas commodities nossas. O problema foi deflagrado. Ele queria no G7 impor barreiras econômicas sem nos ouvir. Conversei com o Trump, com o Piñera, não conversei com Angela Merkel, mas ela foi contra. Falou-se até em soberania relativa da Amazônia.

O Antagonista – O sr. trouxe um anúncio de US$ 10 bilhões de investimentos da Arábia Saudita. Já há setores definidos para receber esse capital?

Bolsonaro – Vai ter mais uma segunda rodada de negociação no tocante a isso. Aqui, internamente, conversei com o Tarcísio. A gente quer o modal ferroviário, ver se é possível a gente buscar a saída para o Pacífico, o que encurtaria em vários dias nosso frete para a Ásia. Quando fala em modal ferroviário, tem muita estrada de ferro no Nordeste abandonada há décadas, ver se a gente pode revitalizar isso. Até na minha região do Vale do Ribeira, Santos, Cajati, tem ferrovia abandonada. O príncipe herdeiro da Arábia Saudita ficou muito entusiasmado em investir na baía de Angra. É um lugar excepcional.

O Antagonista – Tem investimento em energia? Não se vê mais o governo falando em usinas nucleares…

Bolsonaro – Tenho conversado com o ministro Bento que, se o Brasil crescer 2% ou 3%, vai ter apagão. Então, ele está correndo com o projeto de PCHs. Tem a questão da energia solar. Energia eólica, pessoal do Ceará está bastante avançado.

O Antagonista – E em relação ao 5G, da China…

Bolsonaro – Olha, o americano obviamente exerce uma influência nessa área. Ouvi o Trump duas vezes sobre isso. O que queremos é uma alternativa. Queremos algo mais barato que nos atenda. Se puder atender o governo americano com uma alternativa, senão a gente vai para a concorrência. A gente vai conversar de novo, mas eles não querem que seja a Huawei. Nessa área, o meu grilo da consciência vai ser o Marcos Pontes, e o Paulo Guedes subsidiariamente. Não podemos ficar fora disso.

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