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Exclusivo: líder do Novo diz que deputados chegam a exigir de prefeitos até 15% do valor de emendas

Paulo Ganime afirmou que o orçamento secreto no governo Bolsonaro "deu mais margem" para ampliar práticas corruptas já existentes
Exclusivo: líder do Novo diz que deputados chegam a exigir de prefeitos até 15% do valor de emendas
Foto: Gustavo Sales/Câmara dos Deputados

Ao comentar a reportagem de capa da Crusoé com O Antagonista, o líder do Novo na Câmara, Paulo Ganime (foto), disse já ter ouvido relatos de prefeitos e parlamentares sobre como funcionariam os esquemas de corrupção envolvendo emendas.

“Já ouvi relatos de prefeitos e outros agentes políticos, ex-prefeitos, e inclusive de parlamentares, que, quando o prefeito solicita a demanda de emenda para o seu município, de forma até legítima, já há uma contrapartida demandada por esses parlamentares”, disse.

Ganime detalhou, sem citar nomes:

“Às vezes, [essa contrapartida] é retorno financeiro, ou seja, aquele famoso 10%, 15% da emenda. Às vezes, é a escolha de secretariado ou até mesmo [indicação para] empresas públicas municipais. Ou [o parlamentar exige] que seja escolhida, no edital de quem vai executar o serviço ou a obra, a empresa que seja indicada pelo parlamentar.”

O deputado afirmou que esse esquema “já existe para as emendas impositivas”, aquelas que são constitucionais e às quais todo congressista tem direito anualmente. Com a criação das chamadas emendas de relator, que resultaram no orçamento secreto do governo de Jair Bolsonaro, deu-se “mais margem para a corrupção”, na avaliação de Ganime.

“Esse problema [de corrupção] já era possível no modelo já existente. Agora, quando você coloca o orçamento secreto, você não só aumentar o potencia desse dano, porque a gente está falando de muito mais recursos, como dá mais margem para a corrupção, para a fraude, para o uso político das emendas. As emendas de relator facilitam ainda mais o esquema de corrupção”, acrescentou.

Ganime ainda disse que as emendas — as impositivas e, sobretudo, as de relator — também são usadas para garantir apoio político em municípios considerados importantes para a reeleição dos parlamentares.

“Ele [o parlamentar] destina emenda para o município [do prefeito] que vai apoiá-lo eleitoralmente. Apesar de ser legítimo, regular, isso faz com que o parlamentar aumente ainda mais a sua chance de ser reeleito, dificultando a renovação política. E faz com que, no final, ele [o parlamentar] destine os recursos não necessariamente para onde mais necessita [de investimentos públicos] ou para o melhor projeto, e, sim, para o prefeito que vai garantir [a ele] apoio político. Todo esse modelo é péssimo, não melhora a democracia. Pelo contrário: faz com que quem está no poder continue no poder.”

A Crusoé obteve imagens exclusivas, feitas pela Polícia Federal, do deputado federal Josimar Maranhãozinho, cacique bolsonarista do PL, com uma bolada de dinheiro nas mãos, que, segundo a PF, é de emendas do chamado orçamento secreto. Não há, até hoje, nenhuma prova mais eloquente da corrupção envolvendo a farra de emendas por meio da qual o governo de Jair Bolsonaro tem comprado apoio político no Congresso. Clique aqui e veja as imagens e leia a reportagem completa.

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