Feitas na véspera, pesquisas ficaram longe do alvo

Feitas na véspera, pesquisas ficaram longe do alvo
Foto: Divulgação/TSE

É possível que, depois do bolsonarismo e do petismo, o maior fiasco das eleições municipais de 2020 tenha sido o dos institutos de pesquisa –que em várias capitais previram, na véspera, quadros muito diferentes da votação real.

Um dos principais exemplos foi a disputa pela prefeitura do Recife. Na véspera, o Datafolha e o Ibope davam o mesmo resultado: 50% dos votos válidos tanto a João Campos (PSB) como a Marília Arraes (PT). A apuração, porém, terminou com Campos mais de 12 pontos à frente de Marília: 56,27% x 43,73%.

Em Porto Alegre, onde o Datafolha não fez pesquisa, o Ibope da véspera dava 51% dos votos válidos a Manuela D’Ávila (PC do B) e 49% a Sebastião Melo (MDB). Na votação, Melo ficou nove pontos à frente (54,63% x 45,37%) –diferença, além de favorável ao emedebista, bem superior à margem de erro de três pontos.

Em Fortaleza, na véspera do pleito, o Ibope trazia uma liderança de José Sarto (PDT) sobre Capitão Wagner (PROS) bem superior à que se verificou na realidade. No levantamento, o pedetista vencia por 61% a 39% dos votos válidos; na urna, o resultado final foi muito mais apertado (51,69% a 48,31%).

Em Belém, um dia antes da eleição, o Ibope também dava ao psolista Edmilson Rodrigues 16 pontos de vantagem sobre o Delegado Eguchi, do Patriota (58% a 42%). Na apuração, eles se reduziram a pouco mais de três pontos: Edmilson ganhou a disputa pela prefeitura, mas por 51,76% a 48,24%.

Mesmo em São Paulo, onde os principais institutos previram corretamente a vitória de Bruno Covas sobre Guilherme Boulos, a diferença foi maior do que as pesquisas apontavam.

Com 99,99% das urnas apuradas, o tucano obteve 59,38% dos votos válidos e o psolista, 40,62%; na véspera, o Datafolha dava 55% a 45% (fora da margem, nos dois casos). Desta vez, o Ibope se aproximou mais: 57% a 43%.

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