Fique rico, Sergio Moro

Fique rico, Sergio Moro
Foto: Crusoé

No vídeo Assim não dá, Moro, Diogo Mainardi foi suficientemente irônico sobre o fato de políticos, advogados e jornalistas terem colocado mais uma vez em dúvida a honestidade de Sergio Moro, o imperdoável ex-juiz da Lava Jato, por ele ter aceitado o cargo de sócio-diretor numa empresa de consultoria que tem como um dos seus clientes a Odebrecht. Sergio Moro vai trabalhar na área de compliance e disse que não irá envolver-se em casos que impliquem conflito de interesses, como o da empresa mais atingida pela operação.

A perseguição política a Sergio Moro é evidente. A presunção de inocência não vale para ele, só para quem é pego chafurdando na lama da corrupção. Trata-se de tentar convencer o distinto público de que o ex-juiz, potencial candidato à presidência da República, age sempre em interesse próprio: de que prendeu Lula et caterva porque queria eleger Jair Bolsonaro, ser ministro da Justiça e, em seguida, ministro do Supremo Tribunal Federal; de que já antecipava trabalhar com compliance para ganhar dinheiro em cima de empresas pegas pela Lava Jato. Só mesmo a ironia para dar conta da teoria conspiratória malandra.

Esse pessoal não limites. Os detratores deste site e da Crusoé nos acusam de sermos uma espécie de braço armado da Lava Jato. É outra malandragem. Apoiamos a Lava Jato por termos a convicção de que é necessário limpar o  país das safadezas cometidas por gente poderosa, assim como acreditam os cidadãos minimamente honestos. Convidamos Sergio Moro para ser colunista da revista pela razão óbvia de que se trata de personalidade revestida de interesse público, e ele gentilmente aceitou o nosso convite por gostar do jornalismo investigativo da Crusoé. Razão idêntica foi a do convite ao ex-procurador Carlos Fernando Lima. Cada um tem os colunistas que pode ou quer. Mesmo assim, os suspeitos de sempre insinuaram que Sergio Moro como colunista da Crusoé era sinal de ligações perigosas conosco e insinuaram que o ex-ministro da Justiça estaria burlando a quarentena prevista pela legislação para quem trabalhou no alto escalão do governo. Vão para o diabo.

O meu ponto aqui vai além da perseguição político-malandra contra Sergio Moro. Como apontam vários leitores, a inveja que os suspeitos de sempre têm dele é igualmente gritante. O sujeito agora vai ganhar muito dinheiro, como é que pode? Já ganha como palestrante e vai ganhar como sócio de uma empresa de consultoria: inadmissível. Gente honesta tem de ser remediada, no máximo — inclusive porque fazer um bom dinheiro de maneira limpa mostra, por contraste, como corruptos são incompetentes para acumular riqueza de outra forma.

A livre manifestação da inveja desse pessoal se baseia na convicção católica de que ter lucro é pecado — o exato contrário da ética protestante que ajudou a engendrar o espírito capitalista, como dissecou o alemão Max Weber num livro que deveria ser leitura obrigatória. Exemplifico: o ex-presidente Barack Obama é admirado nos Estados Unidos por ter embolsado dezenas de milhões de dólares com palestras e livros; o ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro é vilipendiado no Brasil porque conseguiu bons empregos. Vão para o diabo outra vez.

Não tenho procuração para defender Sergio Moro, de quem não sou amigo e a quem vi três vezes na vida, sempre na companhia de outros jornalistas. Não o acho imune a críticas. Ninguém é. Mas defendo o direito de ele ganhar muito dinheiro de forma transparente e fazendo o que sabe. Fique rico, Sergio Moro, e demonstre aos detratores e invejosos que a corrupção é um elogio que a esperteza faz à inépcia.

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