Fogo no Pantanal do MT começou em fazendas de fornecedores de JBS, Marfrig e Minerva, diz ONG

Fogo no Pantanal do MT começou em fazendas de fornecedores de JBS, Marfrig e Minerva, diz ONG
Foto: Mayke Toscano/Secom-MT. 07 de agosto de 2020.

Parte das queimadas que devastam hoje o Pantanal do Mato Grosso teve origem em fazendas de pecuaristas que vendem gado para os grupo Amaggi e Bom Futuro, fornecedores das gigantes JBS, Marfrig e Minerva.

A informação é do jornal Repórter Brasil, com base em levantamento da ONG Instituto Centro de Vida.

A partir da análise cruzada dos focos de calor do Inpe e imagens de satélites, o ICV identificou que as queimadas no Mato Grosso começaram em cinco propriedades. O estudo analisou os focos de incêndio no Mato Grosso entre 1º de julho e 17 de agosto. A primeira queimada na região começou em 11 de julho.

A partir do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e da Secretaria de Estado da Fazenda, a reportagem identificou os proprietários e os compradores de dois dos pecuaristas.

O fogo iniciado em cinco propriedades rurais, todas localizadas em Poconé (a 100 km da capital Cuiabá), foi responsável por destruir mais de 116 000 hectares, área equivalente à cidade do Rio de Janeiro.

Entre as cinco propriedades, está a fazenda Comitiva, de Raimundo Cardoso Costa. Costa é proprietário de outra fazenda vizinha, chamada Recanto das Onças. Segundo o Repórter Brasil, a Recanto das Onças comercializou gado com o grupo Bom Futuro, um dos fornecedores de gado dos maiores frigoríficos do Brasil: JBS, Marfrig e Minerva.

Outra fazenda das cinco em Poconé analisadas pela reportagem é a Espírito Santo, onde o fogo começou em 4 de agosto. Pertence a José Sebastião Gomes da Silva.

Gomes da Silva também é dono de outra fazenda, a Formosa, que vende gado para a fazenda Rio Bonito, que, por sua vez, comercializa gado com a JBS e a Marfrig. A própria Formosa também é fornecedora da Amaggi Pecuária, do grupo Amaggi, da família do ex-governador e ex-senador Blairo Maggi.

Ao jornal, Raimundo Cardoso Costa disse que o fogo em sua propriedade começou após a explosão de um veículo. A advogada de José Sebastião Gomes da Silva não respondeu ao contato.

A Amaggi informou que vai suspender as compras de gado com José Sebastião Gomes da Silva enquanto aguarda a apuração sobre a responsabilidade da origem dos focos de incêndios em outras propriedades dele.

A Minerva Foods disse que os fornecedores diretos dela (Amaggi e Bom Futuro) não apresentam irregularidades, mas não comentou sobre os fornecedores indiretos (Raimundo e José Sebastião).

A Marfrig, dona das marcas Montana e Bassi, afirmou usar uma plataforma de monitoramento via satélite para monitorar os fornecedores com focos de incêndio, mas que não há controle total sobre os fornecedores indiretos. A empresa reconhece a questão como “crítica”.

A JBS, dona das marcas Friboi, Seara, Swift e Doriana, afirmou que só consegue monitorar os fornecedores que vendem diretamente para o frigorífico, e seria “precipitada qualquer conclusão da JBS sobre a origem do gado adquirido desses fornecedores”.

O grupo Bom Futuro não retornou às perguntas do Repórter Brasil.

Leia mais: 'Crusoé' revelou pagamentos da JBS ao advogado de Bolsonaro e a participação do presidente em operação em favor do grupo dos irmãos Joesley e Wesley Batista. E os repórteres seguem investigando
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