Genoíno: o Uol “uola”

Existe uma diferença entre escrever matérias e “uolar matérias”. O verbo tem origem na forma que o portal Uol encontrou para noticiar de maneira enviesada fatos que contrariam as convicções ideológicas dos seus repórteres e editores.

Um exemplo fresquinho. O mensaleiro José Genoíno, como já havíamos dito aqui, foi beneficiado pelo indulto de Natal de Dilma Rousseff — e, hoje, o STF sacramentou a sua liberdade, extinguindo a pena. Mais uma palhaçada em meio a tantas etc. Lê-se no Uol que José Genoíno agora está livre para “dormir fora de casa, votar, frequentar bares e não precisará mais comparecer periodicamente à Justiça”. É curioso que se precise explicar o que é liberdade para o leitor, e que para o repórter um dos melhores exercícios de liberdade seja “frequentar bares”. Isso é “uolar”? Não, trata-se apenas de uma irresistível observação lateral.

O Uol “uola” mais adiante, ao explicar o que foi o mensalão: “Segundo julgamento no Supremo, o mensalão foi um esquema de corrupção em que agentes do governo federal recebiam apoio no Congresso Nacional para votações de interesse do Executivo por meio de pagamentos mensais a partidos e políticos.”

Pois é, para o Uol, o mensalão foi o que foi, “segundo julgamento no Supremo”. Ou seja, pode não ter sido bem assim, sabe como é. Guardadas as devidas e infinitas diferenças, é o caso de perguntar como o portal definiria o Holocausto — “Segundo o julgamento de Nuremberg, os nazistas implementaram uma política de extermínio do povo judeu”?

Isso é “uolar”.

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