Gilberto Carvalho não é ladrão

Gilberto Carvalho ganhou as manchetes dos jornais. A frase pronunciada ontem à tarde, depois que ele perdeu o emprego na Secretaria de Governo, está estampada em todas as primeiras páginas: “Não somos ladrões”. A rigor, ele está certo. O PT é pior do que isso. A folha de antecedentes do petismo inclui crimes muito mais tenebrosos do que o roubo. A Folha de S. Paulo elencou algumas das denúncias contra o próprio Gilberto Carvalho: “O ex-ministro foi acusado pelos irmãos de Celso Daniel de participar de esquema de arrecadação de propina para o PT… O empresário Marcos Valério afirmou ao Ministério Público Federal que o PT lhe pediu dinheiro para silenciar pessoas ligadas ao assassinato do prefeito de Santo André”. Como se sabe, a PF, no ano passado, apreendeu no escritório do doleiro Alberto Youssef um contrato de empréstimo de R$ 6 milhões entre Marcos Valério e Ronan Maria Pinto, justamente o empresário que tinha de ser “silenciado”. O que de fato importa na frase de Gilberto Carvalho, porém, é outra coisa. Mais do que um desafogo, ela tem de ser lida como uma intimidação: o PT não vai permitir que Dilma, para salvar seu mandato, entregue um ou dois operadores do partido no esquema da Petrobras. Ao acrescentar que se orgulhava de pertencer à quadrilha, Gilberto Carvalho não estava usando uma simples figura retórica.