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Hang, Wizard e Fakhoury, o trio ternura do bolsonarismo

Os empresários apoiaram como puderam Jair Bolsonaro contra a ciência e as medidas restritivas. A CPI da Covid os pegou
Hang, Wizard e Fakhoury, o trio ternura do bolsonarismo
Foto: Alessandro Dantas/PT no Senado

Jair Bolsonaro nunca esteve sozinho em seu negacionismo. Diversos empresários aloprados embarcaram em sua luta a favor da contaminação pelo coronavírus, enquanto milhares de brasileiros morriam.

Em 2021, ficou claro como esses bolsonaristas endinheirados trabalharam para divulgar o discurso do presidente, tentando supostamente acelerar a retomada econômica, com a derrubada das medidas restritivas. Entre eles, Luciano Hang, Carlos Wizard e Otávio Fakhoury.

A CPI da Covid, instalada em abril, foi desvendando aos poucos como esse sistema funcionava. O colegiado passou a suspeitar sobre a existência de um “Ministério da Saúde paralelo” — um grupo de médicos e empresários que aconselhava Bolsonaro em relação à pandemia.

Os senadores descobriram que Wizard esteve, ao menos, 12 vezes no Planalto em 2020. A médica Nise Yamaguchi disse à CPI que participou de um “conselho científico independente”, juntamente com o empresário, para ajudar o governo.

Convocado a depor, Wizard decidiu ficar em silêncio, negou qualquer envolvimento com o gabinete paralelo e tentou até vender seu livro.

Os senadores descobriram também que, em uma live realizada no ano passado, o empresário apareceu no mesmo ambiente que Eduardo Pazuello e disse que tinha recebido a missão de “forrar” o Brasil de cloroquina. O vídeo foi exibido em diversas sessões da CPI.

Nesse contexto, veio à tona a notícia de que Wizard e Hang intervieram na compra de vacinas. Eles tentaram viabilizar a aquisição dos imunizantes chineses CanSino, negociados no Brasil pela Belcher Farmacêutica.

As tratativas entraram na mira da CPI da Covid. A aquisição previa o valor de US$ 17 por dose, mais caro do que qualquer vacina comprada pelo Ministério da Saúde.

Hang também era suspeito de integrar o ministério da saúde paralelo. O dono da Havan foi apontado pelos senadores como um financiador de notícias falsas sobre a pandemia.

Mensagens obtidas pela PF mostram que o blogueiro Allan dos Santos pediu o contato de Hang a Eduardo Bolsonaro, em busca de recursos para o Terça Livre. O site é investigado pela divulgação de notícias falsas.

Otávio Fakhoury era alvo das mesmas suspeitas.

Quando a CPI parecia se encaminhar para uma conclusão, surgiram denúncias de ex-funcionários da Prevent Senior. Eles acusavam a operadora de saúde de exercer pressão para que eles receitassem medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid e de forjar atestados de óbito de pacientes, para esconder a doença como causa das mortes.

Um dos casos citados envolvia a morte da mãe de Hang.

Em fevereiro, ela morreu em decorrência da infecção por coronavírus. Na ocasião, o empresário divulgou um vídeo nas redes sociais, dizendo que talvez sua vida pudesse ter sido salva se ela tivesse tomado o “kit Covid”.

Documentos da Prevent Senior mostraram que, na verdade, ela recebeu os medicamentos.

Em depoimento à CPI, em setembro, Hang negou que tenha mentido sobre a morte da mãe ou que tenha usado o episódio para fins políticos. O dono da Havan também negou o financiamento a sites propagadores de fake news.

PNa sequência, foi a vez de Otávio Fakhoury, que também negou seu envolvimento com sites investigados por propagar notícias falsas.

Durante seu depoimento, o empresário foi confrontado com uma postagem homofóbica que fez em seu Twitter contra o senador Fabiano Contarato (Rede-ES), assumidamente gay.

Na publicação, Fakhoury usou um erro de português de Contarato para fazer uma piada sobre sua sexualidade. O senador havia dito “fragrante”, quando se referia a “flagrante”.

“O delegado homossexual assumido talvez esteja pensando no perfume de alguma pessoa naquele plenário”, comentou Fakhoury.

Sentado na cadeira da Presidência da CPI, Contarato fez um discurso emocionado, condenando a declaração: “O dinheiro não compra dignidade. O dinheiro não compra caráter”. A manifestação foi apoiada por diversos senadores, até por bolsonaristas.

No relatório final, Renan Calheiros pediu o indiciamento de Fakhoury e Hang por incitação ao crime, citando a disseminação de fake news.

No caso de Wizard, além de incitação ao crime, o pedido de indiciamento também incluiu epidemia culposa com resultado morte.

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