Janaina, o Olimpo e o bolsonarismo crítico

No ano em que o acordão entre Jair Bolsonaro e Dias Toffoli foi celebrado, a deputada estadual Janaina Paschoal, que até novembro foi correligionária do presidente, não poupou o STF das críticas necessárias.

Em entrevista à Crusoé em março, a advogada deu o tom do discurso: “Os juízes deveriam descer do Olimpo”.

No meio do ano, Janaina mandou ver para cima do Olimpo, ao protocolar no Senado um pedido de impeachment de Toffoli, pela decisão do presidente do Supremo de suspender todos os processos judiciais instaurados sem supervisão da Justiça que envolviam dados compartilhados por Coaf e Receita Federal.

Disse que a canetada de Toffoli era uma “derrota considerável na guerra contra a corrupção” e que a decisão do ministro “conseguiu o apoio de todos os petistas e também calar o grupo dos bolsonaristas que vinha batendo nele, em apoio à Lava Jato”.

Também condenou a abertura do inquérito “sem precedentes”,  para investigar supostos ataques aos ministros do STF.

Definiu o inquérito e a censura à Crusoé como “a situação mais grave dos últimos tempos”.

Para Janaina, Toffoli “exorbitou seu poder”. “Até onde isso vai?”, questionou em encontro com senadores, para tratar do pedido de impeachment do ministro.

Janaina foi, ainda, grande defensora da CPI da Lava Toga: “Queremos impeachment de quem merece ser afastado e CPI para investigar o que precisa ser investigado”.

E reconheceu que Flávio Bolsonaro tentou barrar a comissão, em outra mostra do seu bolsonarismo crítico, em especial à ala mais ideológica do PSL.

Em razão de sua independência em relação às posições do presidente, a bolha bolsonarista, como não poderia deixar de ser, atacou Janaina.

Pessimista com o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, a deputada diminuiu as postagens nas redes sociais.

Mais quieta, porém não apática, em novembro, a deputada, juntamente com membros do Ministério Público, protocolou no Senado um aditamento ao pedido de impeachment de Toffoli.