Kakay, o reto, o vertical, o incansável

Como dissemos no post anterior, Antônio Carlos de Almeida Prado, alcunhado Kakay, era advogado de Alberto Youssef, até ser defenestrado pela família do doleiro. Motivo: ele não queria que o cliente aceitasse a delação premiada proposta pela Justiça Federal do Paraná que viria a abrir de uma vez a caixa de pandora do Petrolão. Kakay, amigão do peito de José Dirceu, alegava motivos, por assim dizer, filosóficos para repudiar o instituto da delação. Prometia a Youssef ser capaz de livrá-lo da cadeia por ter encontrado falhas no processo tecido pelo juiz Sergio Moro e a sua brigada de procuradores.
Crescido à sombra do PT, o causídico escreveu um artigo para o UOL, em setembro, condenando a delação premiada — e chegou a ser premonitório sobre a presidente Dilma Rousseff, a ex-guerrilheira de esquerda. Vale a pena recuperar algumas pérolas produzidas por Kakay. Elas ficam ainda mais brilhantes à luz do que ocorreu desde então, refletindo com clareza de que lado estava ele, de fato.
Com vocês, o reto, o vertical, o incansável Kakay, sobre a delação premiada:
“Confesso que tenho aversão a este método até por uma questão de princípio. Não me parece ser a melhor maneira de forjar a têmpera de um povo, em um estado democrático, o incentivo à deduragem, principalmente se ela for feita em um regime de barganha, e sendo impossível o seu controle.” (O Antagonista acha ótima a deduragem sem controle de bandidos contra bandidos.)

“A delação é a arma preferida dos governos ditatoriais e totalitários de todos os tipos. Com a delação, o Estado esmaga os vínculos, espúrios ou não, entre os cidadãos, desequilibrando o equilíbrio e a coesão que devem existir entre Estado e sociedade civil.” (O Antagonista acha ótimo quando vínculos espúrios são esmagados.)

O poder desse instrumento é tal que seria bem possível que as eleições, em nosso país, fossem decididas por um delator. Por hipótese, se este delator disser que falou com a presidente Dilma sobre ajuda de campanha, as eleições de outubro estariam definidas, ainda que tal fosse uma mentira grosseira.” (O Antagonista adoraria que um delator pudesse ter impedido a eleição de Dilma. Pena que tenha sido tarde demais.)

É muito grave este momento. Estamos às portas de uma eleição presidencial. Elege-se a voz de um delator como o grande eleitor, e ata-se a ele os destinos da nação.” (O Antagonista pede que se leia o comentário imediatamente acima).

“Inverte-se o princípio. Quem tem a força da verdade é a palavra do criminoso confesso, não o Estado e seus agentes que têm a obrigação de promoverem investigações com a preservação dos direitos dos investigados. É o regime do terror que se aperfeiçoa com os vazamentos criminosos e desmoralizantes, onde ao acusado resta negar sem saber qual é a acusação.” (O Antagonista acha que regime de terror é o da corrupção, do aparelhamento do Estado e o do controle da imprensa e do Judiciário.)

Se a opinião do reto, vertical e incansável Kakay tivesse prevalecido, o Petrolão estaria enterrado debaixo do pré-sal.

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