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Linha do tempo: Bolsonaro, Queiroz e dinheiro vivo

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O Antagonista apresenta uma cronologia resumida das relações entre a família Bolsonaro, Fabrício Queiroz, o uso de dinheiro vivo e de outros assessores em atividades suspeitas.

Esta linha do tempo poderá ser atualizada com novas informações.

1955

– Nasce Jair Bolsonaro.

1965

– Nasce Fabrício Queiroz.

1977

– Jair Bolsonaro se forma na Academia Militar das Agulhas Negras, especializado em paraquedismo.

1978

– Jair Bolsonaro se casa com Rogéria Nantes Nunes Braga, que passa a se chamar Rogéria Bolsonaro.

1981

– Nasce o primeiro filho do casal, Flávio Bolsonaro, mais tarde chamado de 01.

1982

– Jair Bolsonaro cursa a Escola de Educação Física do Exército e, depois de formado, vai servir no 8º Grupo de Artilharia de Campanha Paraquedista em Deodoro, bairro do Rio de Janeiro, como um dos tenentes responsáveis pela avaliação física dos soldados que concorriam para o curso de paraquedismo.

– Nasce Carlos Bolsonaro, o filho 02.

1983

– Jair Bolsonaro, tenente com 28 anos, “deu mostras de imaturidade ao ser atraído por empreendimento de ‘garimpo de ouro’”, registra a Diretoria de Cadastro e Avaliação do então ministério do Exército em uma “ficha de informações”. “Necessita ser colocado em funções que exijam esforço e dedicação, a fim de reorientar sua carreira. Deu demonstrações de excessiva ambição em realizar-se financeira e economicamente.”

– Ouvido pelo Conselho de Justificação, o superior de Jair Bolsonaro, coronel Carlos Alfredo Pellegrino, diz que tentou demovê-lo da ideia do garimpo, mas conheceu “pela primeira vez sua grande aspiração em poder desfrutar das comodidades que uma fortuna pudesse proporcionar”.

– Segundo Pellegrino, Bolsonaro “tinha permanentemente a intenção de liderar os oficiais subalternos, no que foi sempre repelido, tanto em razão do tratamento agressivo dispensado a seus camaradas, como pela falta de lógica, racionalidade e equilíbrio na apresentação de seus argumentos”.

– Bolsonaro se “retratou”, mas, por outro lado, teria “confirmado sua ambição de buscar por outros meios a oportunidade de realizar sua aspiração de ser um homem rico”.

1984

– Jair Bolsonaro conhece Fabrício Queiroz na Brigada Paraquedista da Vila Militar do Exército, no Rio de Janeiro. Nasce uma grande amizade.

– Nasce, também, Eduardo Bolsonaro, o filho 03.

1987

– Queiroz ingressa na Polícia Militar como subtenente, cargo que ocupa até 2018.

1988

– Jair Bolsonaro é eleito vereador do Rio de Janeiro.

– Passa para a reserva do Exército, com o posto de capitão.

1989

– Jair Bolsonaro atua como vereador na Câmara Municipal do Rio.

1990

– Jair Bolsonaro (PDC) é eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro.

1994

– Jair Bolsonaro (PPR) é reeleito deputado federal.

1996

– Rogéria Bolsonaro compra apartamento no Rio de Janeiro no valor de R$ 95 mil pagos em dinheiro vivo (o equivalente a R$ 621 mil hoje). Rogéria é mãe de Flávio, Carlos e Eduardo.

1997

– Jair Bolsonaro e Rogéria se divorciam.

– Bolsonaro se casa com Ana Cristina Siqueira Valle.

– Entre 1997 e 2008, Ana Cristina compra 14 imóveis, que somam R$ 5,3 milhões (valor corrigido pela inflação), sendo 5 imóveis pagos com dinheiro vivo, no total de R$ 680 mil (valor corrigido pela inflação).

1998

– Nasce Renan Bolsonaro, filho de Jair e Ana Cristina.

– Jair Bolsonaro (PPB) é eleito para o terceiro mandato como deputado federal.

1999

– Ana Cristina, segunda mulher de Jair Bolsonaro, exerce cargo de confiança no gabinete do líder do partido dele, Odelmo Leão, do PPB, com salário de R$ 3,6 mil.

– Jair Bolsonaro emprega em seu próprio gabinete o pai de Ana Cristina, José Cândido Procópio, e a irmã, Andréa de Assis. Os dois moram em Juiz de Fora (MG), mas Bolsonaro, acusado de contratação irregular, alega que ambos “vão ao Rio toda semana” e nega a prática de nepotismo. “Eu estou me divorciando da minha primeira mulher. A Ana Cristina é minha companheira. Não somos casados. Portanto, não são meus parentes.”

2000

– Flávio Bolsonaro, aos 19 anos, passa a constar, no lugar de Ana Cristina, como ocupante do cargo no gabinete do PPB em Brasília, enquanto faz, no Rio de Janeiro, faculdade de Direito na Universidade Candido Mendes e estágio na Defensoria Pública.

– A Câmara dos Deputados afirmaria em 2019 que os cargos de natureza especial, como o ocupado por Flávio nos anos 2000, “têm por finalidade a prestação de serviços de assessoramento aos órgãos da Casa, em Brasília. Desse modo, não possuem a prerrogativa de exercerem suas atividades em outra cidade além da capital federal”.

– Carlos Bolsonaro é eleito vereador do Rio de Janeiro, aos 17 anos.

2001

– O cargo de Flávio Bolsonaro em Brasília rende ao universitário 01 no Rio o equivalente a R$ 4.712 por mês, ou 13,5 mil reais mensais em valores corrigidos. No total, ele fica 18 meses registrado na função de assistente técnico.

– Carlos Bolsonaro, como vereador, teria funcionários fantasmas desde o primeiro mandato, iniciado neste ano, de acordo com indícios encontrados em investigações posteriores do MP do Rio, que ouviria pelo menos oito pessoas a partir de julho de 2019. Viria à tona que alguns dos investigados não tinham nem crachá de servidor; outros eram estudantes ou tinham outro emprego enquanto supostamente trabalhavam no gabinete. Uma das contratadas, Diva da Cruz Martins, de 72 anos, contaria que não batia ponto nem tinha crachá na Câmara Municipal.

2002

– Jair Bolsonaro faz 10 depósitos fracionados, em dinheiro vivo, no valor total de R$ 14,6 mil, em sua própria conta de campanha. Pelo PPB, ele é eleito para o quarto mandato como deputado federal.

– Flávio Bolsonaro, “a pedido”, deixa de constar como ocupante do cargo no gabinete do PPB em Brasília e, meses depois, é eleito deputado estadual do Rio pelo próprio PPB. Jorge Francisco, que atuaria por duas décadas no gabinete de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados em Brasília, bancou a campanha do 01, doando R$ 5,9 mil, o equivalente a cerca de R$ 18 mil em valores corrigidos. Francisco doaria um total de R$ 48,5 mil às diferentes campanhas da família Bolsonaro.

– Entre 2002 e 2014, as campanhas da família Bolsonaro movimentariam um total de R$ 140,6 mil em dinheiro vivo a partir de doações eleitorais, como revelaria Crusoé.

– Eduardo Bolsonaro, aos 18 anos, é nomeado no fim do ano para o mesmo cargo que Flávio e Ana Cristina haviam ocupado, mas a nomeação acabaria sendo anulada três semanas depois, com a saída de Jair Bolsonaro do PPB para o PTB, presidido por Roberto Jefferson, no começo de 2003.

2003

– Eduardo Bolsonaro passa a constar como ocupante de outro cargo em Brasília, na liderança do PTB de Roberto Jefferson, enquanto faz faculdade de Direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro. O salário é de R$ 3.904 por mês, ou quase R$ 9.780 mensais em valores corrigidos. Eduardo fica 16 meses registrado na função de assistente técnico.

– A Câmara dos Deputados, assim como no caso de Flávio Bolsonaro, afirmaria em 2019 que os cargos de natureza especial, como o ocupado por Eduardo, “têm por finalidade a prestação de serviços de assessoramento aos órgãos da Casa, em Brasília. Desse modo, não possuem a prerrogativa de exercerem suas atividades em outra cidade além da capital federal”.

– Mariana Mota assume como chefe de gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj. Ela seria apontada pelo Ministério Público do Rio como primeira operadora do esquema de rachadinha, atuando até 2007. Ela é amiga de Ana Cristina Valle, segunda mulher de Bolsonaro e mãe de Renan.

– Fabrício Queiroz passa a responder, ao lado de Adriano da Nóbrega, vulgo Capitão Adriano, a processo pela morte de um homem na Cidade de Deus. Os dois serviam juntos no 18º Batalhão da PM em Jacarepaguá.

2004

– Eduardo Bolsonaro deixa de constar deixa de constar como ocupante do cargo no gabinete do PPB em Brasília (apenas seis meses depois da criação do Orkut, a primeira rede social a fazer sucesso no Brasil; a internet ainda engatinhava).

– Carlos Bolsonaro é reeleito vereador do Rio.

2005

– Jair Bolsonaro troca o PTB pelo PP.

– Roberto Jefferson (PTB) revela o mensalão do PT.

– Jair Bolsonaro diz: “Ele (Jefferson) ameaçou denunciar o ‘mensalão’. Disse assim, ‘se tentarem cooptar deputado meu em cima de mesadas, eu vou denunciar’.”

2006

– Jair Bolsonaro (PP) doa R$ 10 mil para sua própria campanha, mas os dados do TSE não mostram se o recurso foi depositado em espécie. Ele é eleito para o quinto mandato como deputado federal.

– Flávio Bolsonaro é reeleito como deputado estadual.

2007

– Fabrício Queiroz, sua esposa Márcia Aguiar e sua filha Nathália Queiroz tornam-se, oficialmente, assessores de Flávio Bolsonaro na Alerj por intermédio de Jair Bolsonaro.

– Jair Bolsonaro encerra seu relacionamento de uma década com Ana Cristina Valle e se casa no cartório com Michelle, assessora do deputado federal.

2008

– Márcia Aguiar vai à delegacia da mulher e relata ter sido vítima de agressões do marido, Fabrício Queiroz.

– Flávio Bolsonaro paga R$ 86 mil em espécie, por meio de depósitos bancários, para a compra de 12 salas comerciais no Barra Prime Offices, que vende meses depois. Nesse contexto, Flávio teria conhecido Alexandre Santini, que supostamente apresentava possíveis compradores para os imóveis de Flávio e viria a ser seu sócio na loja Bolsotini Chocolates e Café, franquia da Kopenhagen no shopping Via Parque, no Rio. Santini viria a ser apontado como um laranja da família Bolsonaro.

– Ex-marido da atual mulher de Queiroz e pai da sua enteada, Márcio da Silva Gerbatim passa a constar como assessor no gabinete de Carlos Bolsonaro, onde fica até abril de 2010, quando passaria ao gabinete de Flávio na Alerj, trilhando o caminho inverso de Claudionor Gerbatim de Lima, sobrinho da mulher de Queiroz. Ambos seriam suspeitos, na investigação do MP do Rio, de terem sido funcionários fantasmas, pelo menos, do gabinete do 02.

– Carlos Bolsonaro é eleito para o terceiro mandato como vereador do Rio. Jair Bolsonaro fez um depósito de R$ 15 mil em dinheiro na conta de campanha do 02, que também recebeu R$ 10 mil do próprio Carluxo.

2009

– Flávio e Carlos Bolsonaro usam R$ 31 mil em espécie para cobrir prejuízos que tiveram investindo na Bolsa de Valores.

2010

– Mulher do Capitão Adriano, Danielle da Nóbrega passa a constar como assessora no gabinete de Flávio Bolsonaro por indicação de Fabrício Queiroz. Anos depois, o MP do Rio indicaria que ela atuava como funcionária fantasma.

– Flávio Bolsonaro é eleito para seu terceiro mandato como deputado estadual. Carlos Bolsonaro doou R$ 10 mil em dinheiro à campanha do 01.

– Jair Bolsonaro deposita R$ 10 mil em dinheiro vivo em sua própria conta de campanha. Ainda pelo PP, ele é eleito para o sexto mandato como deputado federal.

2011

– Nasce Laura, filha de Jair e Michelle Bolsonaro.

– Tem início a sequência de 21 cheques no valor total de R$ 72 mil, depositados por Fabrício Queiroz na conta de Michelle Bolsonaro. Foram 9 mil reais neste ano.

– Esposa de Queiroz, Márcia Aguiar deposita 17 mil reais em cheques a Michelle Bolsonaro.

– Queiroz faz depósito de R$ 25 mil em dinheiro vivo na conta de Fernanda Antunes, esposa de Flávio Bolsonaro. O dinheiro teria ajudado a bancar a entrada de R$ 110 mil em um apartamento em Laranjeiras, bairro da Zona Sul do Rio, comprado pelo casal dias depois.

– Personal trainer de celebridades, Nathália Queiroz ganha ao menos R$ 22 mil de três academias, entre 2011 e 2016, enquanto consta como assessora no gabinete de Flávio, o que indicaria, de acordo com a investigação posterior do MP do Rio, que ela foi funcionária fantasma. Neste período, Nathália repassa ao pai mais de R$ 633,4 mil dos R$ 774,2 mil da remuneração pelo cargo público, o equivalente a 81% do total, como mostraria a quebra de sigilo bancário dela.

A atriz Bruna Marquezine em foto com Nathália Queiroz
2012

– Fabrício Queiroz deposita um total de R$ 18 mil a Michelle Bolsonaro.

– Flávio Bolsonaro paga R$ 638 mil em dinheiro vivo por dois imóveis em Copacabana, de acordo com investigação posterior do MP do Rio, que suspeita de lavagem, por meio de transações imobiliárias, de dinheiro do esquema de rachadinha na Alerj.

– Carlos Bolsonaro é eleito para o quarto mandato como vereador do Rio. Jair Bolsonaro fez um depósito de R$ 12 mil em dinheiro na conta de campanha do 02, que também recebeu recebeu R$ 10 mil do próprio Carluxo.

2013

– Queiroz deposita um total de R$ 27 mil a Michelle Bolsonaro.

– Jair Bolsonaro e Michelle se casam na Igreja, em cerimônia realizada por Silas Malafaia.

2014

– Capitão Adriano é expulso da PM.

– Flávio Bolsonaro paga R$ 30 mil em dinheiro ao empresário David Macedo Neto durante a compra de um apartamento na Barra da Tijuca, no Rio.

– Entre dezembro 2014 e novembro de 2017, Luiza Souza Paes, lotada no gabinete de Flávio, só aparece nas cercanias da Alerj por três dias, registraria o MP do Rio a partir da localização do aparelho celular dela. Ela depositaria 155,6 mil reais em espécie na conta de Fabrício Queiroz. O pai de Luiza, amigo de Queiroz, pediria que ela reunisse extratos bancários para “combinar com o operador financeiro uma versão falsa de que se trataria dos pagamentos de uma suposta dívida”, de acordo com o relato do MP baseado em mensagens apreendidas.

– Em videoconferência, Olavo de Carvalho recomenda a Jair Bolsonaro “formar uma militância”, porque “o eleitorado é uma força difusa, ao passo que a militância é uma força dirigida”. (Veja a “Breve história do bolsolavismo”: AQUI.)

­– Jair Bolsonaro (PP) é eleito para o sétimo mandato como deputado federal e apoia Aécio Neves (PSDB) para a presidência da República, mas o tucano é derrotado por Dilma Rousseff.

– Flávio Bolsonaro é eleito para o seu quarto mandato como deputado estadual.

– Eduardo Bolsonaro (PSC) é eleito deputado federal por São Paulo na aba do puxador de voto Marco Feliciano. Jair Bolsonaro fez um depósito de R$ 9 mil em dinheiro na conta de campanha do 03, que ainda recebeu mais R$ 10 mil de Carluxo também em dinheiro. Jorge Francisco, assessor de Jair na Câmara, ainda doou 11 mil reais em dinheiro à mesma campanha de Eduardo.

– Flávio Bolsonaro e seu sócio Alexandre Santini compram do empresário Cristiano Correia Souza e Silva uma loja no shopping Via Parque, na Barra da Tijuca, tornando-se donos de franquia da Kopenhagen, depois apontada pelo MP do Rio como instrumento para lavagem do dinheiro desviado pelo esquema de rachadinha na Alerj.

– No contrato, assinado em 11 de dezembro, o valor acertado é de R$ 800 mil, sendo R$ 400 mil a serem pagos por cada sócio da loja de chocolate. O MP apontaria que Flávio e a esposa, Fernanda, investiram um valor incompatível com seus rendimentos na compra da loja. Fernanda não aparece como dona, mas R$ 350 mil teriam saído da conta dela para o negócio. Segundo o MP, Flávio e Fernanda omitiram de suas declarações de Imposto de Renda esses R$ 350 mil investidos, que serviram para quitar os R$ 400 mil da parte de Flávio. Na declaração de Flávio à Receita Federal, aparece apenas um pagamento de R$ 50 mil para a empresa de Cristiano, o que coincide com um cheque emitido por Flávio como sinal para a compra.

2015

– Mãe de Capitão Adriano, Raimunda Magalhães ganha cargo na Alerj por indicação de Fabrício Queiroz. O MP do Rio indicaria que ela atuava como funcionária fantasma.

2016

– Fabrício Queiroz deposita um total de R$ 36 mil na conta de Michelle Bolsonaro.

– Nathália Queiroz é exonerada do gabinete de Flávio na Alerj e passa a constar como assessora do deputado federal Jair Bolsonaro em Brasília, mais tarde suspeita de ter sido funcionária fantasma também lá.

– No gabinete de Jair Bolsonaro, Nathália segue repassando a maior parte de seu salário ao pai. Ela transfere R$ 150,5 mil para a conta de Queiroz entre janeiro de 2017 e setembro de 2018, de acordo com os dados que apareceriam na quebra de sigilo bancário dela. As transações bancárias mostram que Nathália fez 17 de 22 depósitos menos de 48 horas depois de receber os salários. O extratos também indicam que ela continuou atuando como personal trainer. Recebeu, por exemplo, três depósitos de R$ 900 do ator Bruno Gagliasso. Dava aulas no Rio, enquanto constava como assessora em Brasília.

O ator Bruno Gagliasso em foto com Nathalia Queiroz
– PM Diego Sodré de Castro Ambrósio paga R$ 16,5 mil da prestação do imóvel de Laranjeiras, em que Flávio deu entrada em 2011 após depósito de Queiroz na conta de sua esposa. Flávio alegaria que o pagamento do boleto foi um favor do amigo Diego durante o churrasco de comemoração que eles faziam em razão do inesperado quarto lugar alcançado por Flávio na eleição municipal de 2016, quando tentou ser prefeito do Rio. Um favor para que o candidato derrotado não precisasse sair para ir ao banco, já que não tinha, segundo ele, o aplicativo.

– Carlos Bolsonaro é eleito para seu quinto mandato de vereador do Rio, mas atuaria muito mais como militante virtual na campanha presidencial e no governo do pai.

– O empresário Cristiano Correia Souza e Silva, que vendeu a loja de chocolates a Flávio Bolsonaro, percebe que o 01 vende produtos abaixo da tabela da Kopenhagen e, então, comunica à matriz. Ela constata que, apesar dos produtos com preços menores, Flávio emite nota fiscal com o preço cheio, procedimento clássico que reforçaria a tese do MP do Rio de que a franquia era utilizada para lavar dinheiro. A loja do 01 é multada pela empresa, de acordo com relato posterior da Kopenhagen ao MP.

– Alexandre Santini, sócio de Flávio, envia para a mulher de Cristiano Correia Souza e Silva imagem de pessoas sendo enforcadas e faz ameaças ao casal, após o comunicado da irregularidade da franquia à matriz. Cristiano e a esposa registram ocorrência policial, mas, com medo, não dão andamento ao caso.

2017

– Flávio Bolsonaro recebe 48 depósitos fracionados em 1 mês, no valor total de R$ 96 mil. Ele alegaria que os valores eram provenientes da venda do apartamento de Laranjeiras.

– O militante virtual Tercio Arnaud Tomaz é nomeado para o cargo de auxiliar de gabinete de Carlos Bolsonaro, com salário de R$ 3.641, mas em agosto de 2018 viria à tona que ele não trabalhava de fato no Legislativo carioca, mas sim na campanha presidencial de Jair, que o nomearia em janeiro de 2019 para o gabinete pessoal da Presidência, com remuneração de R$ 13,03 mil. Em 2020, o Facebook removeria contas fakes de Tércio, usadas para atacar críticos e adversários políticos do clã.

2018

– Fabrício Queiroz vai para a reserva da PM.

– Queiroz paga mensalidades das filhas de Flávio no valor total de R$ 6,9 mil em espécie em agência da Alerj. MP viria a investigar um total de 116 boletos pagos pelo assessor.

– Jorge Francisco morre de infarto, aos 69 anos. Jair Bolsonaro comunica a morte em rede social, referindo-se a ele como um “leal amigo de 20 anos”.

– Suposto vazamento da PF alerta família Bolsonaro sobre investigações envolvendo Fabrício e Nathália Queiroz e o esquema de rachadinha na Alerj, de acordo com depoimento que seria feito pelo empresário Paulo Marinho, ex-aliado do clã.

– Fabrício Queiroz deixa o gabinete de Flávio na Alerj e sua filha, Nathália, deixa o gabinete de Jair Bolsonaro na Câmara dos deputados.

– Exonerada, Nathália Queiroz segue recebendo vencimentos da Câmara por 2 meses, mas, possivelmente em razão do vazamento, cessa sequência de 12 anos de repasses salariais ao pai.

– Eduardo Bolsonaro (PSL) é reeleito deputado federal.

– Flávio Bolsonaro (PSL) é eleito senador.

– Jair Bolsonaro (PSL) é eleito presidente da República.

– Sergio Moro, ex-juiz da Lava Jato em Curitiba, aceita convite para ser ministro da Justiça e Segurança Pública.

– Relatório do Coaf aponta movimentações bancárias atípicas em contas de Fabrício Queiroz no valor de R$ 1,2 milhão, entre 2016 e 2017. É a primeira vez que o caso vem à tona.

– Relatório aponta que Queiroz depositou cheques no valor de R$ 24 mil na conta de Michele Bolsonaro.

– Bolsonaro alega que foram R$ 40 mil e que o dinheiro era o pagamento por um empréstimo que o presidente eleito havia feito a Queiroz. É a mesma alegação que, no caso de Luiza Souza Paes, suspeita de ter sido funcionária fantasma de Flávio, revelou-se falsa, conforme o relato do MP sobre as mensagens do pai dela, que foram apreendidas.

– Fabrício Queiroz desaparece e surge o bordão “Cadê o Queiroz?”.

2019

– Jair Bolsonaro assume a presidência da República, com Sergio Moro como ministro.

– Flávio Bolsonaro assume o cargo de senador.

– Coaf aponta que, além da quantia movimentada por Fabrício Queiroz entre 2016 e 2017, haveria mais R$ 5,8 milhões movimentados em 2014 e 2015. Os valores somam R$ 7 milhões.

– Jair Bolsonaro nomeia Jorge Oliveira, filho do falecido Jorge Francisco, como ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República. Oliveira atuou no Congresso Nacional entre 2003 e 2018, onde foi assessor parlamentar da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), assessor jurídico no gabinete de Jair Bolsonaro no período em que ele era deputado federal e também chefe de gabinete e assessor jurídico do deputado federal Eduardo Bolsonaro. Oliveira é major da reserva da PMDF. Seu pai era capitão da reserva do Exército, como o presidente.

– Durante recesso do Poder Judiciário, o presidente do STF, Dias Toffoli, suspende investigações baseadas em dados do Coaf, como a que atinge Flávio Bolsonaro.

– Enquanto Toffoli segura a investigação de Flávio, família Bolsonaro faz campanha contra a CPI da Lava Toga, que investigaria Toffoli, inclusive pela abertura do inquérito contra supostas fake news, ameaças e ofensas. CPI é enterrada.

– Jair Bolsonaro tenta trocar o Superintendente da PF do Rio de Janeiro, após inquérito eleitoral sobre Flávio avançar na PF do Rio. Primeiro atrito com Sergio Moro sobre o tema.

– Plenário do STF autoriza compartilhamento de dados do Coaf com o MP e investigações envolvendo Flávio e Queiroz são retomadas.

– Questionado sobre o cargo em que constava seu nome em Brasília, quando fazia faculdade no Rio, Eduardo Bolsonaro responde como se não lembrasse: “Olha, eu teria que puxar forte pela memória aqui então…”

2020

– Jair Bolsonaro sanciona lei que transfere o Coaf (antes alocado na pasta de Moro, que queria mantê-lo) ao Banco Central.

– Capitão Adriano é morto na Bahia por PMs. Ele era procurado por chefiar o “Escritório do Crime”.

– Fabrício Queiroz recorre a um empréstimo junto a Caixa Econômica Federal para comprar um apartamento no Rio de Janeiro (onde viria a cumprir prisão domiciliar). O valor do financiamento foi de R$ 285.520. O da entrada no imóvel, de R$ 71.380.

– Fabrício Queiroz paga, em dinheiro vivo, R$ 64,58 mil ao hospital israelita Albert Einstein por uma cirurgia, outros R$ 60 mil à equipe médica e mais R$ 9 mil ao oncologista. Ao todo, Queiroz arca com R$ 133,58 mil em espécie pelo procedimento.

– O MP encontrou uma agenda de Marcia Aguiar, onde a mulher de Queiroz anotou os gastos da cirurgia e da viagem para São Paulo, em um total de R$ 174 mil, identificado por ela como “dinheiro recebido”. Para os promotores, diz O Globo, esse valor tem origem desconhecida.

– Em abril, Jair Bolsonaro agrada Gilmar Mendes nomeando para AGU José Levi, cuja esposa é assessora do ministro do STF. Gilmar elogia Levi, que em artigo de 2010 exaltou Gilmar.

– Sergio Moro deixa o governo em 24/4 apontando interferência de Jair Bolsonaro na PF. PGR abre inquérito para apurar, deixando margem para enquadrar Moro por denunciação caluniosa.

– Jair Bolsonaro troca diretor-geral da PF. O primeiro escolhido para a vaga tem a nomeação suspensa por Alexandre de Moraes, mas o segundo entra e imediatamente troca o superintendente da PF no Rio, como queria Bolsonaro.

– Vídeo da reunião ministerial de 22/4 mostra Jair Bolsonaro dizendo: “Eu não vou esperar foder minha família e amigo meu.” E olhando para Moro: “Vou interferir!”

– Mensagens anteriores e posteriores à reunião, reveladas por Moro, confirmam intenção de Bolsonaro de trocar diretor-geral da PF em razão de investigações sobre bolsonaristas. (Veja a “Linha do tempo: Moro e Lava Jato incomodam o establishment”: AQUI.)

– Fabrício Queiroz é preso em sítio de advogado de Jair e Flávio Bolsonaro, Frederick Wassef. Sua mulher é dada como foragida.

– Queiroz presta depoimento.

– Flávio Bolsonaro ganha do TJ do Rio foro privilegiado retroativo, relativo ao mandato de deputado estadual. MP do Rio pede ao STF que o caso volte à primeira instância. Pedido cai com Gilmar Mendes. Outro pedido, feito pela Rede, cai com Celso de Mello.

– Presidente do STJ, João Otávio de Noronha, que disputa indicação de Bolsonaro ao STF, manda Queiroz e sua mulher foragida para prisão domiciliar.

– O subprocurador-geral da República, Roberto Luís Opperman Thomé, da PGR, pede que as concessões de prisão domiciliar do casal sejam revistas. Ministro Felix Fischer, relator do caso Queiroz no STJ, tem problemas de saúde e é hospitalizado. A decisão de revogar ou não a ordem de Noronha é postergada.

– Como o MP do Rio coletou imagens e boletos, Flávio Bolsonaro admite que Queiroz pagou algumas de suas despesas particulares, mas, segundo o senador, com dinheiro lícito que ele próprio lhe entregara. O MP, ao contrário, aponta que o dinheiro tinha origem no esquema de rachadinha na Alerj.

– Em depoimento, Flávio Bolsonaro é confrontado por um promotor sobre os R$ 86 mil em espécie usados na compra das 12 salas comerciais em 2008 e afirma que pegou o dinheiro emprestado com seu pai e um irmão. Flávio nega o uso da loja de chocolate para lavar dinheiro e afirma que desconhece depósito de Queiroz à sua esposa.

– Flávio Bolsonaro, em depoimento, também diz que “não se recorda” de ter dado 638 mil reais em dinheiro vivo na compra de dois apartamentos em Copacabana em 2012.

– Ainda no depoimento ao MP-RJ, Flávio Bolsonaro cai em contradição ao explicar a compra da loja de chocolates, confunde valores e também diz não se recordar das operações.

– Vem à tona que Flávio Bolsonaro, Carlos Bolsonaro e as duas primeiras mulheres do pai, Rogéria Bolsonaro e Ana Cristina Valle, movimentaram R$ 3 milhões em dinheiro vivo, em valores corrigidos. A conta foi feita pelo Globo, que somou os pagamentos em espécie realizados pelos quatro, sem incluir Jair, Eduardo e Michelle, além de outros ex-assessores.

– Crusoé revela que Fabrício Queiroz e Márcia Aguiar depositaram ao menos R$ 89 mil na conta de Michelle Bolsonaro, e não R$ 40 mil como Bolsonaro havia dito em dezembro de 2018.

– A família Bolsonaro silencia sobre o caso.

– À medida que a imprensa detalha os fatos e suspeitas do investigado esquema de rachadinha e lavagem de dinheiro, Flávio Bolsonaro pede que o MP investigue a conduta de promotores por vazamentos de informações do inquérito, mas não se explica sobre as denúncias.

– Ministro Felix Fischer, do STJ, retoma as atividades, reverte a prisão domiciliar concedida por Noronha; e determina que Queiroz e Márcia Aguiar sejam presos em regime fechado. Na decisão, Fischer afirma que Queiroz não comprovou ter a saúde debilitada e que o casal “trabalhou arduamente” para impedir a produção de provas e para destruí-las.

– Gilmar Mendes, em seguida, derruba a decisão de Fischer e mantém Queiroz e Márcia em prisão domiciliar.

– A família Bolsonaro novamente silencia. Assim como ocorreu após a liminar de Noronha, circulam prints de postagens antigas de Flávio e Eduardo Bolsonaro contra a prisão domiciliar. Ambos a tratavam como “impunidade”, sendo que Eduardo, quando não era seu pai na presidência da República, considerava a medida um privilégio para “amigos do rei”.

* Última atualização deste post às 16h50, de 16/8/2020.

Leia mais: Por que os depósitos de Queiroz para Michelle Bolsonaro NÃO foram incluídos na investigação da 'rachadinha'? Estratégia

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