Lula se contradiz sobre “sedes alternativas” do Instituto

Questionado pela Polícia Federal sobre a existência de outras sedes do Instituto Lula, o ex-presidente negou.

Mas ao ser confrontado com informações de outro imóvel alugado em São Bernardo do Campo, onde a PF encontrou documentos pessoais, contratos e notas fiscais, Lula afirmou que sabia da existência e confirmou até o nome do dono do imóvel.

E Lula ainda diz que não participa da gestão de seu instituto?

Leiam mais esse trecho do depoimento:


Delegado da Polícia Federal:- Quantas sedes têm o instituto, quantas sedes, ele existe em quantos lugares?

Declarante:- Só em São Paulo, só naquele lugarzinho ali.

Delegado da Polícia Federal:- No lugarzinho, o senhor se refere à sede identificada como instituto?

Declarante:- Identificada. E a casa é alugada, encostada.

Delegado da Polícia Federal:- Junto, né. O Instituto Lula é locatário de um imóvel situado na Rua Domício Afonso da Gama, nº 57, na Vila Damásio, São Bernardo do Campo, ele usa essa sede, ele aluga de alguém essa sede?

Declarante:- Primeiro, eu não sei onde fica a Rua Damásio.

Delegado da Polícia Federal:- Mas em São Bernardo do Campo existe alguma sede do Instituto Lula?

Declarante:- Acho que não.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor não saberia?

Declarante:- Eu acho que não existe não, pelo que eu sei não.

Delegado da Polícia Federal:- E por que pode existir sem o seu conhecimento ou existiria sem seu conhecimento?

Declarante:- Não, não deve existir. Eu estou estranhando a sua pergunta porque eu não sei se existe.

Delegado da Polícia Federal:- E no bairro Pinheiros, no bairro Pinheiros, ao lado de um batalhão da polícia militar?

Declarante:- O bairro Pinheiros não é onde, não é…

Delegado da Polícia Federal:- Desculpe, é Ipiranga.

Declarante:- Pois é, mas é lá mesmo que nós temos.

Delegado da Polícia Federal:- Lá existe uma sede que o senhor se referiu, identificada…

Declarante:- Existe uma casa alugada perto do batalhão.

Delegado da Polícia Federal:- Do lado do batalhão, né?

Declarante:- Do lado do batalhão.

Delegado da Polícia Federal:- Exatamente. O que funciona naquela sede?

Declarante:- Funciona uma parte da sede porque o instituto lá é pequeno.

Delegado da Polícia Federal:- E por que lá não é identificado como Instituto Lula, essa sede ao lado do batalhão, lá não existe placa que indicam que é o Instituto Lula?

Declarante:- Mas nem no instituto existe placa.

Delegado da Polícia Federal:- Ok, não tem também identificação, tá certo. Lá existe um local, o senhor saberia dizer o que exatamente tem nessa sede?

Declarante:- Lá funciona a assessoria de imprensa, lá funciona o blog do instituto, lá funciona a presidência do instituto.

Delegado da Polícia Federal:- Certo. O senhor conhece Jair Francisco Sapurani?

Declarante:- Deve ser o proprietário que alugou a casa.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor tem alguma relação com ele?

Declarante:- Não. Quando eu era presidente, eu lembro que ele era assistente (inaudível), mas não tenho relação de amizade com ele.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor disse que nessa sede, ao lado da polícia militar, funciona a diretoria, assessoria de imprensa.

Declarante:- Funciona a presidência.

Delegado da Polícia Federal:- Certo. E na outra sede, a mais conhecida, o que funciona lá?

Declarante:- Vou pegar um café aqui, deixa eu pegar um café.

Delegado da Polícia Federal:- Isso. Se o senhor quiser, vamos ajudar, vamos colocar o cafezinho aqui mais perto da gente, para a gente também poder se servir.

Declarante:- Qual era a pergunta?

Delegado da Polícia Federal:- O senhor descreveu quais são os setores do Instituto Lula que funcionam naquela sede ao lado da polícia militar, e aquela outra sede, a mais conhecida, quais são os setores do Instituto Lula que funcionam lá?

Declarante:- Lá tem a minha sala, tem a Clara Ant que é diretora que funciona lá, tem o Luiz Dulci que é o ex-ministro que funciona lá, tem o ministro Paulo Vanuchi que funciona lá e tem os funcionários que trabalham.

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