Manual do corrupto brasileiro

Manual do corrupto brasileiro
Foto: Marcos Brandão/Senado Federal

Quem lê o inquérito do Supremo que apura o esquema de corrupção do senador Chico Rodrigues tem a sensação de estar diante de um manual sobre como desviar dinheiro público de forma aparentemente legal.

Temos mostrado há tempos que o recurso da emenda parlamentar virou a principal fonte de negociação do governo com o Congresso para a aprovação de pautas de interesse do Executivo.

Parlamentares, como Chico, têm direito a direcionar essas fatias de orçamento para aplicação em estados e municípios, normalmente, suas bases eleitorais. Áreas que demandam grandes investimentos e com pouco controle, como a saúde, são as preferidas.

Ao direcionar recursos federais ao estado, o governador fica devedor do parlamentar e, em contrapartida, entrega o comando de determinada secretaria. No caso, o senador de Roraima passou a controlar a Secretaria de Saúde.

Para fazer o esquema funcionar, é preciso atrair empresários dispostos a fornecer materiais e serviços superfaturados ao governo. A contratação é direcionada a esses parceiros e os recursos ‘excedentes’ são desviados por meio de subcontratações e emissão de notas fiscais frias.

Operadores locais fazem então a coleta. Deputados estaduais e vereadores, em conluio, ajudam a replicar o mecanismo nas prefeituras. A ‘operação abafa’ para evitar a cassação de Chico Rodrigues tem mais a ver com cumplicidade do que com solidariedade.

Leia mais: Deputados federais custam R$ 189 mil por mês aos pagadores de impostos; senadores, ainda mais
Mais notícias
TOPO