Assine
Acesse
Acesse o Antagonista+ Acesse a Crusoé

Médico fala em fraude, obrigação para prescrever kit Covid e falta de autonomia na Prevent

Walter Correa Neto relatou que profissionais de saúde tinham receio de contrariar a cúpula da empresa e classificou a hierarquia como mais rígida que na PM
Médico fala em fraude, obrigação para prescrever kit Covid e falta de autonomia na Prevent
Foto: Roque de Sá/Agência Senado

Durante seu depoimento à CPI da Covid, o médico Walter Correa de Souza Neto, que trabalhou na Prevent Senior, relatou vários episódios de fraudes, obrigatoriedade para a prescrição do chamado kit Covid e falta de autonomia dos profissionais de saúde.

Neto relatou que os médicos tinham receio de contrariar a cúpula da empresa e classificou a hierarquia do plano de saúde como “mais rígida que na Polícia Militar”. Além disso, o médico disse também que o modelo de negócio da empresa era voltado para a redução de custos a qualquer preço.

“A inadequação crônica que eu tinha com a Prevent Senior se dava por ser um modelo que era basicamente voltado para os custos e não, muitas vezes, para o bem-estar e o que o paciente precisava”, disse Neto. “Não havia nessas instituições militares uma hierarquia tão rígida quanto existia na Prevent, beirava o assédio”, acrescentou.

O médico confirmou que pacientes eram erroneamente orientados a aceitar o tratamento paliativo, mesmo para pessoas que ainda tinham chance de serem salvas, e que medicamentos para Covid eram entregues em receitas médicas preenchidas previamente.

“Eu estranhei esse protocolo, esse procedimento de enviar remédio para casa. Eu nunca vi isso. Normalmente, se faz o seguinte: o médico prescreve, talvez até por telemedicina, que está regulamentada, você pega a receita, vai à farmácia, adquire o remédio e começa a fazer o tratamento. Só que isso se dá normalmente após um diagnóstico”, declarou.

“Tinha uma hierarquia de cima pra baixo, eles tinham a contagem dos kits que eram feitos, então eles sabiam. Eu fui pego nessa: num dia que eu deixei de prescrever, eles perceberam. Então, se alguém saísse da linha, essa pessoa seria cobrada: ‘Olha, você tem que prescrever, você tem que prescrever!’ Então, as pessoas tinham que prescrever, declarou.

“Os pacientes que estavam nesse modelo de acolhimento… O paciente só ia passando pelos enfermeiros, que já estavam com o kit pronto e entregando. Não havia mais uma avaliação adequada do paciente. Era uma coisa de… Chegou com sintoma gripal, toma o kit e vai embora. Era uma coisa nesse sentido”, afirmou

Mais notícias
TOPO