Mesmo com 70% da população infectada, Manaus não chegou à imunidade de rebanho, mostra estudo

Mesmo com 70% da população infectada, Manaus não chegou à imunidade de rebanho, mostra estudo
Foto: Jose Zamith de Oliveira Filho/via Agência Brasil

Mais de 70% da população de Manaus já havia sido infectada pelo novo coronavírus sete meses depois de ele chegar à cidade, mas mesmo assim a cidade não atingiu imunidade de rebanho. A conclusão é de um estudo publicado nesta sexta-feira (15) na revista Science.

O estudo Three-quarters attack rate of SARS-CoV-2 in the Brazilian Amazon during a largely unmitigated epidemic analisou amostras de doadores de sangue em Manaus e São Paulo, identificou quando as transmissões começaram a cair, e estimou as taxas de ataque em outubro de 2020.

A ‘taxa de ataque’ é a incidência de uma determinada doença para um grupo de pessoas expostas ao mesmo risco. É calculada com o número de pessoas afetadas dividido pelo número de pessoas expostas.

Com mais de 70% da população infectada, Manaus ultrapassou o mínimo teórico para alcançar a imunidade de rebanho. A imunidade de rebanho pode ser obtida de duas formas: por uma campanha de vacinação ou quando um grande número de pessoas adquire imunidade natural por já ter desenvolvido uma doença.

Os autores citam possíveis razões para a imunidade de rebanho não ter sido alcançada em Manaus. Uma é que infecções pelo novo coronavírus podem não conferir imunidade de longa duração. “De fato, observamos rápido declínio de anticorpos em Manaus, consistentemente com outros relatórios”. Os autores não cravam essa conclusão por evidências em sentido contrário em outros estudos.

“Os eventos em Manaus revelam a tragédia e os danos à sociedade que podem ocorrer se for permitido a este vírus seguir seu curso”, escreveram os autores.

* Este texto foi corrigido. Segundo o estudo, mais de 70% da população de Manaus já havia sido infectada, e não estava infectada, em outubro.

Leia mais: Enquanto dezenas de países do mundo já iniciaram a vacinação contra a Covid-19, o Brasil patina entre duas vacinas.
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