Militante bolsonarista que desprezava coronavírus relata internação da avó

Militante bolsonarista que desprezava coronavírus relata internação da avó

A militante bolsonarista Camila Abdo, que desprezava os riscos da Covid-19, chamou o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, de “hipócrita e assassino”, alegando no Twitter que, “se o remédio [hidroxicloroquina] tivesse sido dado quando eu implorei pro médico, minha avó não estaria agonizando”.

Ela também escreveu que vive com sua família uma angústia “torturante” a cada vez que o telefone toca, porque pensa que sua avó, internada há dez dias, pode ter morrido.

Em 2 de abril, Camila havia se dito “confusa”, “tentando entender onde erramos”. “As cuidadoras trocavam de roupa e tomavam banho antes de entrar em contato com ela. Sempre estavam de máscaras e usavam álcool em gel. Até os sapatos ficavam pra fora. Seguimos todas as orientações. Somente as cuidadoras têm contato com ela.”

Nas semanas anteriores, porém, Camila havia escrito que “coronavírus não mata”, que isto era uma “desculpa imbecil para implementar a política de desencarceramento”.

Ela também havia confirmado seu comparecimento à manifestação de 15 de março, quando já vigorava a recomendação de isolamento: “Nós, da facção olavista, estaremos presentes na manifestação”, escreveu antes do ato. “Nós fomos”, publicou depois.

Defensora de Flávio Bolsonaro nas redes sociais, Camila era assessora no gabinete do deputado estadual Coronel Nishikawa (PSL-SP), onde foi promovida após ligação do filho 01 do presidente, como revelou matéria da Crusoé sobre os blogueiros de crachá.

“Pedi minha exoneração para que minhas opiniões não recaiam em cima do deputado que não merece ser atacado”, publicou Camila, depois da matéria. “Entreguei o crachá.”

Na linha do pronunciamento de Jair Bolsonaro na TV em 24 de março, ela também chegou a reclamar do fechamento das escolas, argumentando que nunca suspenderam aulas em razão de rotavírus e H1N1: “Pra que tudo isso?”, questionou.

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