Moro enquadra defesa do Feira

Em vez de divulgar slides, a defesa de João Santana deveria se preocupar em analisar as provas colhidas no inquérito da Operação Acarajé para tentar buscar uma saída jurídica – ainda que improvável – para seu cliente.

No despacho que prorrogou a prisão do casal de feirantes, Sérgio Moro fez uma observação quase irônica sobre o argumento do advogado de que “o único crime por eles cometido seria o de evasão fraudulenta de divisas”, ao não declarar ativos no exterior.

“Este Juízo não reputa tão insignificante assim este delito. Mais relevante, há indícios, como já apontados, de que os investigados podem estar incursos em práticas delituosas bem mais graves, como lavagem de dinheiro e corrupção”, escreveu Moro.

O juiz aproveitou a oportunidade para enquadrar o advogado.

“Não vislumbro ainda como banalizar a prática de fraudes, com utilização de recursos escusos ou pelo menos não-contabilizados, em campanhas eleitorais, quer no Brasil ou no exterior, considerando a consequente afetação da integridade do processo político democrático. Nada há, portanto, de banal nessas condutas.”