Moro vê problemas no “álibi” do casal Santana

Sérgio Moro ressaltou no despacho pela prorrogação da prisão temporária de João Santana e Mônica Moura que “há certos problemas no álibi” do casal.

Ele cita a “proximidade da Shellbill com as fontes de recursos ilícitos no esquema criminoso da Petrobrás”. A Odebrecht, diz Moro, utilizou “as mesmas contas empregadas para pagar propina aos agentes da Petrobrás para remunerar João Santana e Mônica Moura”.

O juiz diz ainda que a presença de Zwi Skornicki, como fonte de recursos deles, é, por si só, “perturbadora”, já que colhida prova do papel deste de intermediador de propinas aos agentes da Petrobrás.

“Nem João Santana ou Mônica Moura explicaram, ademais, porque a Odebrecht teria efetuado pagamentos de campanhas eleitorais na Venezuela e, principalmente, qual a relação de Zwi Skornicki com a campanha eleitoral na Angola.”

Ele cita ainda a planilha com repasse de R$ 4 milhões da Odebrecht para o Feira, reproduzida mais cedo por O Antagonista.

“A prova, em cognição sumária, da realização de outros pagamentos subreptícios pelo Grupo Odebrecht à “Feira”, ou seja, Monica Moura, durante o ano de 2014 e em reais no Brasil, é, em princípio, inconsistente com álibi apresentado, de que os pagamentos na Shellbill teriam sido os únicos efetuados pela Odebrecht ao casal e igulamente inconsistente com a alegação de que os valores não-contabilizados seriam referentes exclusivamente a campanhas eleitorais na Venezuela e em Angola.”

“O fato é que os elementos probatórios anteriores e os ora revelados no exame sumário das provas apreendidas, indicam que o relacionamento de João Santana e com Mônica Moura com a Odebrecht é muito maior que o admitido e que eles teriam recebido quantias bem mais expressivas do que aquelas já rastreadas até a conta Shellbill.”