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Motoboy diz que sacou até R$ 430 mil por dia para pagar boletos, mas nega conhecer Roberto Dias

A suspeita da CPI é que a VTCLog pagou propina a “agentes políticos” e parlamentares por meio do pagamento de faturas e boletos
Motoboy diz que sacou até R$ 430 mil por dia para pagar boletos, mas nega conhecer Roberto Dias
Foto: Adriano Machado/Crusoé

O motoboy da VTCLog Ivanildo Gonçalves confirmou ao longo da sessão de hoje da CPI da Covid que fez vários saques em nome da empresa para “pagamento de boletos”. Em um único dia, segundo o próprio motoboy, ele chegou a sacar R$ 430 mil.

A suspeita da CPI é a de que a VTCLog pagou propina a “agentes políticos” e parlamentares por meio do custeio de faturas e boletos — em um esquema semelhante ao de “rachadinhas” da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, que envolve o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ).

Segundo o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), Ivanildo sacou, de uma única agência, R$ 3,1 milhões, dos R$ 4,7 milhões movimentados por ele.

De acordo com os senadores, um dos beneficiados do esquema da VTCLog seria o ex-diretor de logística do Ministério da Saúde Roberto Dias, gestor do contrato de logística firmado entre a pasta e a empresa. Apesar disso, durante seu depoimento, Ivanildo negou conhecer o ex-diretor da pasta.

“Soube dele depois da CPI”, afirmou.

Ivanildo declarou que pagou boletos da Voetur, empresa de turismo ligada à VTCLog, contas de cartão de crédito dos diretores da empresa e notas de combustível. A ordem de pagamentos, segundo ele, vinha de uma funcionária do setor financeiro chamada Zenaide de Sá Reis. As faturas mais altas pagas pelo motoboy chegavam a R$ 30 mil.

“A única coisa que eu executava no papel era de pagar boletos; às vezes depositava, quando me pediam: ‘olha, deposita esse dinheiro’. Mas eu não cheguei ainda, assim, entregar dinheiro para ninguém”, disse o motoboy.

Questionado se ele conhecia as pessoas beneficiárias dos boletos bancários, Ivanildo disse que não observava esse detalhe das faturas. “Olha, assim, se eram as mesmas pessoas, eu não me lembro, mas a partir do momento que eu sacava dinheiro, tinha valores que eu pegava, e pagava as faturas”, afirmou.

Ivanildo também afirmou que “andava frequentemente” no Ministério da Saúde, mas não soube informar as pessoas para as quais entregou encomendas da VTCLog. “Olha, quando eu prestava serviço de entregar fatura, eu andava constantemente no Ministério da Saúde. Eu não conhecia ninguém. Eu ia a salas para entregar faturas, em setores e setores”, disse o motoboy.

Ele afirmou também que, em 2021, entregou um pen drive no quarto andar do Ministério da Saúde, local onde funciona a diretoria de logística da pasta. Ele não soube informar o nome da pessoa para quem entregou o objeto. Registros da portaria do Ministério da Saúde mostram que o motoboy esteve, em 2020, duas vezes no setor: em 12 de julho e em 7 de dezembro.

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