MP de São Paulo desarticula rede de advogados do PCC

O Gaeco do MP de São Paulo deflagrou hoje operação para desarticular o núcleo jurídico do Primeiro Comando da Capital (PCC). Com apoio da PM e do Departamento Penitenciário Nacional, foram cumpridos 13 mandados de prisão e 23 de busca e apreensão.
Segundo o MP, advogados foram contratados por um dos líderes do PCC para contornar os problemas de comunicação de sua cúpula, cujo membros foram transferidos, em fevereiro de 2019, para diferentes penitenciárias federais em Porto Velho (RO), Brasília (DF) e Mossoró (RN).

“A transferência tinha como objetivo central impedir que os chefes da facção continuassem a transmitir ordens de dentro dos presídios. Para contornar a incomunicabilidade decorrente da remoção, B.F.L.F, vulgo Armani, recebeu poderes para assumir o comando nacional da célula batizada de ‘Setor do Universo’. Com o emprego de recursos oriundos de crimes cometidos pela facção, notadamente o tráfico de drogas, Armani contratou advogados com atuação em diversas regiões do território nacional com a finalidade principal de permitir que os chefes do PCC, presos, continuassem a se comunicar com integrantes da facção em liberdade. Por meio de atendimentos presenciais, os advogados contratados levavam informações aos líderes e recebiam ordens que deveriam ser transmitidas a outros criminosos.”

A estratégia permitiu, por exemplo, que um dos mais relevantes traficantes da Baixada Santista nomeasse sucessores com apoio de uma advogada, que atuou como mensageira.

“Os defensores ainda intermediavam o pagamento de propinas para policiais, transmitiam cobranças de dívidas e até ameaças de morte a mando da organização criminosa. Não raro, os próprios advogados se envolviam em disputas que eram solucionadas pelo sistema de disciplina da facção, mediante o exercício de poderes de decisão por Armani, indicando inserção na estrutura hierárquico-piramidal do PCC.”

Equipes do Ministério Público de São Paulo estiveram em Rondônia. Houve, também, cumprimento de mandados em Brasília (DF), Mossoró (RN) e diversos municípios paulistas. A operação, batizada de Fast Track, foi autorizada pelo juiz Ulisses Augusto Pascolati Júnior, da 2ª Vara Especializada em Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores.

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