MPF: “FIM DA FORÇA-TAREFA DA PF É UM EVIDENTE RETROCESSO”

A força-tarefa do MPF em Curitiba acaba de soltar uma nota em que manifesta sua discordância em relação à dissolução do grupo de trabalho da Lava Jato no âmbito da Polícia Federal.

Leiam a íntegra:

Os procuradores da República da Força Tarefa da Lava Jato em Curitiba vêm manifestar sua discordância em relação à dissolução do Grupo da Lava Jato no âmbito Polícia Federal.

1. A operação Lava Jato investiga corrupção bilionária praticada por centenas de pessoas, incluindo ocupantes atuais e pretéritos de altos postos do Governo Federal. Foram realizadas 844 buscas e apreensões em 41 fases que ensejaram a apreensão de um imenso volume de materiais – apenas na primeira fase, foram mais de 80 mil documentos. São rastreadas hoje mais de 21 milhões de transações que envolvem mais de R$ 1,3 trilhão. Já foram acusadas por crimes graves como corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa mais de 280 pessoas, e centenas de outras permanecem sob investigação. Embora já tenham sido recuperados, de modo inédito, mais de R$ 10 bilhões, há um potencial de recuperação de muitos outros bilhões, se os esforços de investigação prosseguirem.

2. A anunciada integração, na Polícia Federal, do Grupo de Trabalho da Lava Jato à Delegacia de Combate à Corrupção e Desvio de Verbas Públicas, após a redução do número de delegados a menos de metade, prejudica as investigações da Lava Jato e dificulta que prossigam com a eficiência com que se desenvolveram até recentemente.

3. O efetivo da Polícia Federal na Lava Jato, reduzido drasticamente no governo atual, não é adequado à demanda. Hoje, o número de inquéritos e investigações é restringido pela quantidade de investigadores disponível. Há uma grande lista de materiais pendentes de análise e os delegados de polícia do caso não têm tido condições de desenvolver novas linhas de investigação por serem absorvidos por demandas ordinárias do trabalho acumulado.

4. A redução e dissolução do Grupo de Trabalho da Polícia Federal não contribui para priorizar ainda mais as investigações ou facilitar o intercâmbio de informações. Pelo contrário, a distribuição das investigações para um número maior de delegados e a ausência de exclusividade na Lava Jato prejudicam a especialização do conhecimento e da atividade, o desenvolvimento de uma visão do todo, a descoberta de interconexões entre as centenas de investigados e os resultados.

5. A necessidade evidente de serviço, decorrente inclusive do acordo feito com a Odebrecht, determinou que a equipe do Ministério Público Federal na Lava Jato em Curitiba tenha aumentado, o que ocorreu em paralelo ao aumento das equipes da Lava Jato no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, no mesmo período em que a Polícia Federal reduziu a equipe e dissolveu o Grupo de Trabalho da Lava Jato em Curitiba.

6. A Polícia Federal, assim como a Receita Federal, são parceiras indispensáveis nos trabalhos da Lava Jato. Reconhece-se ainda a dedicação do superintendente da Polícia Federal no Paraná, Rosalvo Franco, e do Delegado de Polícia Federal Igor de Paula, às investigações. Contudo, a medida tornada pública hoje é um evidente retrocesso. Por isso, o Ministério Público Federal espera que a decisão possa ser revista, com a consequente reversão da diminuição de quadros e da dissolução do Grupo de Trabalho da Polícia Federal na Lava Jato, a fim de que possam prosseguir regularmente e com eficiência as investigações contra centenas de pessoas e de que os bilhões desviados possam continuar a ser recuperados.

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Ler 5 comentários
  1. E CADÊ O PESSOAL QUE VINHA PRÁ INTERNET (AQUI, INCLUSIVE) DIZER: “NÃO TOQUEM NA LAVA JATO!!!” VAI FICAR TODO MUNDO “DE PLATÉIA”??? POVINHO DE “MIERDA”!!! !!!!

  2. Atacar procurador, juizes, PGR, PF etc é tática do PT agora usado pelo PMDB para desconstruir a imagens da Justiça. A única saída para eles é perpetuar no poder e transformar o Brasil em uma Venezuela!!!

  3. Não parece mais haver uma solução pacífica para o Brasil. Infelizmente. Vivemos em um país onde a violência ultrapassou todos os limites. Duas dezenas de conflitos envolvendo fuzis em uma cidade como o Rio em apenas um dia é prova irrefutável que o Estado permite/promove um massacre do povo, na medida que é incapaz de cumprir sua função basilar: segurança. As autoridades do Estado são portanto genocidas. Não há saída possível através das atuais instituições. Resta uma pequena chance de ação das FFAA, desobediência civil generalizada ou exílio em algum país civilizado.

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