"Não foi uma ideia feliz", diz ex-presidente do STF sobre inquérito aberto por Toffoli

O ex-presidente do STF Francisco Rezek disse ao Correio Braziliense que o inquérito aberto por Dias Toffoli para apurar supostos ataques à corte “não foi uma ideia feliz”.

“Não foi uma ideia feliz, e tenho a convicção de que seus autores já se convenceram disso. Mas é difícil voltar atrás em certos cenários e em certos níveis de autoridade.”

Questionado sobre se o STF perdeu o rumo, Rezek respondeu:

O caminho mais seguro para entender a posição do STF sobre a prisão de condenados em 2ª instância. SAIBA MAIS AQUI

“Não concordo com a tese de que a qualidade média na composição do Supremo é hoje menor que no passado, recente ou remoto. Acho profundamente injustas as críticas, tantas vezes brutais e virulentas, que pessoas nem sempre qualificadas dirigem, no mundo virtual, à formação científica de integrantes da casa. Mas o tribunal reflete hoje a clivagem, a fratura que divide o povo brasileiro; e a reflete de modo às vezes desencontrado, no sentido de que há posições oscilantes na linha divisória. Tento comparar o Supremo de hoje com a Corte da Haia, onde 15 criaturas de origens e histórias tão diferentes chegaram sempre, ao longo do meu mandato de nove anos, a decisões unânimes, ou quase unânimes. Isso aconteceu mesmo em conflitos de alta dramaticidade e substrato político, como o caso do atentado de Lockerbie, ou os enfrentamentos entre o Irã e os Estados Unidos, ou a questão da ilegalidade do muro na Palestina. Hoje o estado normal do Supremo tem quase sempre a marca de uma divisão pelo meio, onde cada um dos dois flancos parece subdividir-se em outras tantas vertentes. Não é bem um colegiado, muito menos uma confraria (naquele sentido um tanto pejorativo com que alguns autores se referiram no passado à Corte Suprema americana). O Supremo, hoje mais que nunca, é um arquipélago. Um arquipélago de 11 monocracias, nem sempre comunicantes entre si.”

Rezek também afirmou ser fundamental que o STF recupere o respeito do cidadão.

“É fundamental que isso aconteça, e que não demore. Mas há uma inevitável dependência de que também a fratura da sociedade brasileira termine. Não pela soldagem definitiva, o que não é possível nem bom numa democracia pluralista. Mas por uma cura paliativa, com o poderoso anti-inflamatório da tolerância.”

Comentários

  • Rogério -

    A questão não é só os ministros mudarem de opinião por questões políticas, vai muito além disso, é o nível intelectual que é baixíssimo da maioria dos ministros, são "burros" mesmo, com

  • Paul -

    Eduardo Azevedo preso de Minas Gerais está gritando para o PAPAI GILMAR MENDES e o papai STF para livrar ele da CADEIA esse criminoso

  • Paul -

    Eduardo Azevedo preso de Minas Gerais está gritando para o PAPAI GILMAR MENDES e o papai STF para livrar ele da CADEIA esse criminoso

Ler 71 comentários