“Não se ouviu ninguém no inquérito”

Dora Kramer lembrou como o Ministério Público e a Polícia Federal foram lenientes com o caso Gamecorp, revelado pela Veja em 2005…

“O Ministério Público e a Polícia Federal nem sempre foram tão rigorosos como atualmente em relação ao ex-presidente Lula e companhia. Leia-se família, hoje alvo de investigações por suspeita de ocultação de patrimônio.

Em 2012, o MP e a PF concluíram pelo arquivamento do inquérito aberto sete anos antes para investigar o aporte de R$ 5 milhões da operadora de telefonia Telemar, atual Oi, na empresa Gamecorp de jogos eletrônicos de propriedade de Fábio Luiz da Silva. O problema não é a conclusão de que não houve irregularidade, mas o método de investigação. Não se ouviu ninguém no inquérito. Houve apenas pedidos por escrito, enviados à Gamecorp, ao BNDES e à Telemar, cujas negativas de ilícitos satisfizeram plenamente as autoridades. Sem outros questionamentos.

Diante desse tipo de procedimento, adotado em tempos de bonança política, não é de se estranhar a falta de cerimônia com que o ex-presidente aceitou benesses de empresas favorecidas em seu governo.”

A única iniciativa que quase prosperou foi a de criminalizar os repórteres e editores da Veja que descobriram essa e outras maracutaias de Lulinha.