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Não seja uma zebra

Mario Sabino, na Crusoé:

“Estou lendo ao mesmo tempo uma coletânea de ensaios, artigos e entrevistas de Alberto Moravia, intitulado Impegno Controvoglia (Engajamento de má vontade). Numa entrevista que deu quando completou 70 anos, em meio ao alastramento da praga terrorista na Itália, o escritor disse o seguinte:

‘Um aspecto une todos os terrorismos: a ideia que o medo possa tornar-se um sentimento normal no homem — ou seja, possa coexistir com a confiança que está na base de toda sociedade humana. Em outras palavras, seja compatível com tudo aquilo que faz de um homem um homem. Ora, nós sabemos que não é assim. Na realidade, o medo, no homem, é a exceção, não a regra. Nos animais ditos selvagens, ao contrário, o medo é a normalidade, tanto é verdade que pode coexistir com um sentimento normalíssimo como o amor; as zebras se acasalam a dois passos do leão que as espia; no entanto, o homem aterrorizado perde todo o gosto pela vida. Os animais selvagens vivem tranquilamente a vida deles no medo, são inconscientes de ter medo, a tal ponto que o medo faz parte do seu modo de existir; já o homem que sabe ter medo suspende toda a relação com o real e vive aterrorizado no terror. O terrorismo é, assim, um modo violento de suspender, por todo o tempo que dura o medo, a humanidade do homem. Ou de obrigá-lo a habituar-se ao medo como os animais selvagens, fazendo com que o medo se torne um elemento constitutivo da sua própria alma.’

Quem se comporta como zebra contribui para transformar a savana em deserto — deserto moral e político. É tudo o que querem os terroristas que tentam nos conformar a eles próprios. Não seja uma zebra.”

Leia a íntegra da coluna:

Não seja uma zebra

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