No Brasil, a imaginação está no poder — e isso não é nada bom

Deputado brasileiro faz o serviço completo, se é que você nos entende. Um grupo deles, pertencente ao Conselho de Ética da Câmara, quer passar uma regra pela qual o parlamentar da Casa que desviar dinheiro público poderá se livrar de maiores punições, caso devolva o montante — vamos usar a palavra exata — roubado. O mesmo grupo se esforça para estabelecer que um deputado só será passível de ser processado na Câmara se houver contra ele “provas materiais”. O Antagonista tende a crer que isso significa que, por essa norma, aquele cavalheiro que decapitava pessoas em Rondônia só poderia ser julgado por seus pares se alguém o visse, sei lá, cortando a cabeça de um desafeto na Esplanada dos Ministérios e depois a trouxesse ao plenário, juntamente com a faca com as impressões digitais de Sua Excelência, tudo acompanhado de outras testemunhas. Com fotos e vídeo.
Não, não pára por aí. Está em tramitação um projeto do eminente Henrique Eduardo Alves, do PMDB, presidente da Câmara, que prevê castigo ao deputado que vazar “informações comprometedoras” de CPIs. Como de CPIs são esperadas apenas “informações comprometedoras”, o eleitor terá a chance, se o projeto for aprovado, de saber qual é a marca da água e do café servidos nas sessões — qualquer coisa a mais poderá ser considerado “comprometedor”, visto que o conceito é tão largo quanto a capacidade de Henrique Eduardo Alves para criar entraves à transparência.
Sim, no Brasil, a imaginação está no poder, como queriam os estudantes em 1968, e isso não é nada bom.

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