No discurso de Dilma, nem o slogan é novo

No seu discurso enfadonho, repleto da conhecida contabilidade petista sem vasos comunicantes com a realidade do país, Dilma não conseguiu inovar nem mesmo no slogan escolhido para “guiar” o segundo mandato: “Brasil, Pátria Educadora” data de um discurso da presidente feito em Primeiro de Maio de 2013. É surpreendente que o único setor que funciona na atual administração federal — a máquina de propaganda — não tenha se dado ao trabalho de criar uma frase original.
Dilma não fez um discurso de posse, mas um discurso eleitoral. Enumerou realizações fenomenais, como “a política social que surpreendeu o mundo” (só se fala disso no circuito Elizabeth Arden), mentiu que as contas públicas nunca estiveram tão bem (veja-se o toma-lá-dá-cá para aprovar a manobra fiscal), declarou que o Brasil precisa de uma reforma política que “estimule o povo a retomar o seu gosto pela política” (sim, porque o povo brasileiro sempre foi muito politizado e nada bovino) e disse que nunca antes os escândalos de corrupção foram “apurados com tanta transparência”. Como se o PT jamais tivesse tentado esconder os seus crimes e os de seus aliados por meio da partidarização da Polícia Federal. Como se a Justiça do juiz Sergio Moro não sofresse constrangimentos dos asseclas do partido.
Depois do blá-blá-blá sobre priorizar a educação, a presidente dedicou parte do seu discurso aborrecido à Petrobras. Usou de expressões que remontam à ditadura militar, para afirmar que essa caixa-preta do PT precisa ser defendida dos “predadores internos e dos inimigos externos” — mas, claro, isso não inclui Graça Foster, Renato Duque, João Vaccari Neto et caterva (veja o post “Os Predadores de Empadinhas”).
Enfim, Dilma deu o seu melhor, que é sempre o pior que pode se ouvir da boca de um político. Será candidata pelos próximos quatro anos a não sofrer impeachment e tentar ganhar a eleição da opinião pública, as únicas coisas do seu interesse. Apesar do slogan velho como o novo que ela finge representar.