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O acordão (um ano depois)

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“Cada vez mais próximos, Dias Toffoli e Jair Bolsonaro costuram movimentos que apontam para um acordão a partir do qual a Lava Jato e outras investigações devem ser as maiores prejudicadas”, disse a Crusoé, em reportagem publicada um ano atrás, em 16 de agosto de 2019.

“Símbolo do combate à corrupção no país, o ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sergio Moro, é um alvo colateral da guerra deflagrada, ironicamente, a partir do casamento de Jair Bolsonaro com Dias Toffoli. Visto como um ponta de lança da Lava Jato dentro do governo, o ministro viu sua relação com o presidente se esgarçar nos últimos tempos – a anunciada demissão do presidente do Coaf é apenas um sintoma disso (…).

É nesse ambiente que caminha o esvaziamento da Receita e do Coaf, órgãos que dão suporte à Polícia Federal e ao MPF nas grandes operações de combate a corrupção. No caso da Receita, por exemplo, há uma insatisfação geral do universo político com a evolução do trabalho de investigação desenvolvido pelos auditores fiscais. Acostumados por anos aos questionamentos sobre onde estava o Fisco enquanto milhões em desvios eram expostos pelas grandes operações da Polícia Federal, os servidores resolveram redefinir o modelo de atuação para se antecipar aos interessados em esconder os rastros de sonegação tributária deixados pela lavagem de dinheiro (…).

Desde que a criação do grupo especial de auditores se tornou conhecida, as movimentações contra a Receita começaram. Em um primeiro momento, a reação foi silenciosa. Até que, no ínicio de janeiro de 2019, veio um lance primordial: vazou a informação de que familiares do ministro Gilmar Mendes estavam entre os alvos. Hoje, dentro da Receita, auditores juntam evidências de que a informação foi repassada ao próprio ministro, que em seguida teria se movimentado para tornar a informação pública e, assim, dar início à campanha contra o que ele chama de ‘abuso’. A informação teria sido franqueada a Gilmar por integrantes da cúpula do escritório regional do órgão em Brasília que teriam sido indicados por ele para os cargos, ainda no governo Temer (…).

O nível da reação aumentou sensivelmente semanas depois, quando, em um novo vazamento, se soube que a mulher de Dias Toffoli também estava na lista de alvos da Receita. Foi o bastante para que o presidente do Supremo aderisse prontamente à campanha deflagrada por Gilmar. A aproximação com Bolsonaro, logo depois, e tudo o que dela vem resultando são os primeiros reflexos de um movimento que tem tudo para devolver o Brasil aos tempos em que reinava aquela máxima segundo a qual manda quem pode e obedece quem tem juízo.”

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