Retrospectiva 2020

O ano em que o PT calou a boca

O ano em que o PT calou a boca
Arte: Rodrigo Freitas

Em 2020, ano em que completou 40 anos, o PT foi presentado pelo eleitor com a maior derrota eleitoral de sua história.

Todos os escândalos de corrupção e a prisão de Lula deixaram uma marca indelével na legenda, que perdeu protagonismo na própria esquerda.

Pela primeira vez desde que foi fundado, em 1980, o PT não elegeu nenhum prefeito nas capitais. Em São Paulo, Jilmar Tatto terminou na sexta posição.

Em parte, isso ocorreu também pela incapacidade dos petistas de dividir os holofotes com outros partidos do mesmo campo ideológico, como PSOL, PDT e PSB, ou mesmo com legendas de centro numa frente contra o governo Bolsonaro.

O ex-presidiário, inclusive, criticou manifestos suprapartidários contra o presidente porque, segundo ele, entre os signatários havia pessoas que defenderam o impeachment de Dilma Rousseff.

“Li os manifestos e acho que tem pouca coisa de interesse da classe trabalhadora. Não se fala em classe trabalhadora, nos direitos perdidos”, afirmou Lula, que há décadas não integra a “classe trabalhadora”.

O PT também ficou de fora de um ato virtual pelo impeachment de Bolsonaro realizado por PSB, PDT, Rede, PV e o Cidadania.

Como mostramos, o “fora, Bolsonaro” de Lula é puro teatro.

Um dia depois de ser denunciado pela quarta vez na Lava Jato, por exemplo, Lula saiu em defesa do presidente e sua interferência no comando da Polícia Federal.

O bolsopetismo saiu do armário em 2020 e a maior prova disso talvez tenha sido a indicação de Kassio Nunes Marques para a vaga de Celso de Mello no Supremo Tribunal Federal.  O indicado de Bolsonaro ganhou aplausos do PT e também do Centrão.

Sob pressão para deixar o comando do PT, Gleisi Hoffmann admitiu que o resultado da eleição municipal ficou aquém do esperado, mas negou que tenha sido um desastre. Segundo ela, o problema está na forma, não no conteúdo. “A forma de organização do partido está obsoleta”, e é preciso “dar uma chacoalhada“.

Gleisi e outros caciques petistas, porém, continuam no passado, apoiando ditaduras, inclusive, como a de Nicolás Maduro.

O PT é um partido velho.

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