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O bolsopetismo e os bobos que nunca decepcionam

O bolsopetismo e os bobos que nunca decepcionam
Foto: Divulgação

Se havia alguma dúvida da existência do bolsopetismo, ela cai por terra com a indicação do desembargador Kassio Marques para a vaga de Celso de Mello no Supremo Tribunal Federal.  O indicado ganhou aplausos de ambos os lados e também do Centrão, que fagocitou o bolsonarismo. Quanto à estridência dos partidários de Jair Bolsonaro nas redes contra a indicação, ela já arrefeceu. Mulher de malandro só existe porque há malandro.

No STF, o bolsopetismo ampliou-se para o bolsotucanopetismo, todos unidos num único propósito: dar o bote final na Lava Jato, com o julgamento que deve considerar Sergio Moro suspeito nos processos de Lula. Para isso, contam com o auxílio de  Kassio Marques na Segunda Turma. Trocou-se o incerto, Celso de Mello, pelo certo no último voto que decidirá pela suspeição do ex-juiz. Estará aberto, assim, o caminho para livrar todo mundo de qualquer lado. Para a família Bolsonaro, o novo ministro do STF será ainda uma garantia de que não haverá problemas para Flávio no tribunal. O filho senador do presidente da República é um dos padrinhos da indicação de Kassio Marques. Flávio, inclusive, enviou uma mensagem a Felipe Santa Cruz , presidente da OAB de matriz petista, pelo apoio ao afilhado. Inimizade tem limite: o da conveniência. Santa Cruz está igualmente contente com a decisão de Bolsonaro por motivo corporativista:  Kassio Marques é mais um advogado a galgar degraus no Judiciário, poder dos poderes, graças ao Quinto Constitucional, conhecido como quinto dos infernos. Por falar em boa educação, Flávio deveria agradecer também a Gilmar Mendes e Dias Toffoli, que abençoaram a indicação. Se é que já não o fez, claro.

Se Kassio Marques atender às expectativas, o STF contará até o ano que vem com quatro ministros que querem exterminar a Lava Jato e a possibilidade de que venha a surgir uma nova operação com a mesma envergadura. São eles: Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e o novato. Marco Aurélio Mello, Rosa Weber e Alexandre de Moraes são ministros-pêndulo, os dois primeiros mais garantistas do que  o terceiro. A favor mesmo da Lava Jato, restam quatro: Luiz Edson Fachin, Cármen Lúcia, Luís Roberto Barroso e Luiz Fux, o atual presidente da corte. Não mudou nada? Mudou: Celso de Mello sempre esteve mais para pêndulo — era o incerto, como já dito.

Uma vez exterminada a Lava Jato que interessa, aquela que pegou Lula e gente do tamanho dele,  empresários e banqueiros incluídos, o bolsopetismo se dissolverá em 2022, com ambos os lados fingindo que nunca se uniram forçados pelas circunstâncias. A “polarização” voltará aos níveis de decibéis de 2018. Se um ou outro saírem vencedores nas eleições, bolsonaristas e petistas (e tucanos) logo depois estarão juntos outra vez, agora para escolher o substituto de Marco Aurélio de Mello, que sai no ano que vem, e os de Ricardo Lewandowski e Rosa Weber, que se aposentam em 2023.  Eles contam com os bobocas, que nunca decepcionam.

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