O bunker na PGR

Edson Fachin mandou o caso de Geddel Vieira Lima para a PGR, diz a Época.

Dependendo do que Raquel Dodge decidir, a PF finalmente poderá voltar a investigar os 51 milhões de reais em propinas encontrados no bunker de Salvador.

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  1. Episódio: Se Apartamento Funcional Falasse

    No gabinete do manda-chuva, logo pela manhã:
    — Entre! Avante, Doutor Bedel.
    — Bom dia, chefe. Como o senhor está?
    — Ótimo, ótimo. Sente-se.
    — Sim, senhor. Agradeço muito ter me chamado. Estou curioso. As pernas estão meio bambas e doloridas.
    — Relaxe, rapaz! Muito trabalho por esses dias?
    — Sim, senhor. E como! Estou reformando meu apartamento.
    — Tenho ouvido falar muito bem de você. O Doutor Robério Cajú, meu amigo de sangue, diz que o senhor é leal, manipulável e prestativo.
    — Manipulável? Mesmo? Foi muita gentileza da parte dele.
    — Disse que trabalha muito até tarde… sem marcar horas extras.
    — Pois é. Como vê, às vezes tenho que levar o trabalho para fora de casa.
    — Não seria para ‘dentro de casa’, Bedel?
    — Também. O fluxo é intenso. E o tempo não para.
    — Não para, não. Tanto que o Doutor Felino da Secretaria Geral e o Matilha das Relações Públicas da casa estão arranhando-se e mordendo-se como dois animais, para obter sua transferência para os departamentos de coleta deles.
    — Não podia, nunca, imaginar uma coisa dessas. Me sinto lisonjeado.
    — Diga-me, Bedel, o que você faz para ser tão popular?
    — Não sei.
    — Pense: “Cui bono?”

  2. — Nada muito excepcional, chefe. Eu guardo as malas e cuido de caixas.
    — Caixa?
    — Cuido do estoque.
    — Olha, Bedel… não sou um idiota. Estou sabendo de tudo que se passa nos meus condomínios.
    — Ah! Sim?
    — Que tipo de serviço você presta?
    — Como?
    — Tem uma chave que passa de mão em mão. É a chave de um local misterioso.
    — A do banheiro executivo?
    — Não. De um apartamento funcional! Sabe de quem é esse apartamento?
    — Não… de quem?
    — Do leal, manipulável, prestativo e bom de bico: o senhor, seu Bedel! Vai negar isso?
    — Peremptoriamente… sim! Ou melhor, não, não vou negar. O apê é meu.
    — Isso é um sim ou um não?
    — Deixe-me explicar.
    — Estou esperando.
    — Quando fazia o colégio arquidiocesano… sofria bullying dos coleguinhas.
    — Coleguinhas? Que argumentação ridícula e infantil é essa?
    — Posso continuar com o meu… “flashback”?
    — Seja breve no seu comentário.
    — Me chamavam de gordinho, espinhento, porco-espinho, suíno… essas coisas.
    — Engole o choro e explique-se melhor, homem!
    — Naquele tempo, ninguém ia com a minha cara. Nem os cremes importados anti-acne.
    — Dito assim, parece até que havia uma legião de suburbanos zoando com as berebas do seu rosto…

  3. — Um dia, um amigo que morava longe — onde um daqueles Judas Priest perdeu as botas — me disse que tinha um show. Precisava de um lugar para se lavar e se trocar. Emprestei o meu apê, baratinho. Em dólar.
    — Recebeu direitinho?
    — O cara atrasou. Cobrei multa por atraso. Foi o meu capital inicial.
    — O negócio tava russo, hein?
    — Minha sorte mudou! A notícia vazou e, de repente, todos tinham um show para ir. Quando se empresta a juros escorchantes a um, não se pode negar aos outros.
    — Lei do mercado da oferta e da barganha da procura. E a inadimplência dessa plebe rude?
    — Para minimizar os riscos e aumentar os lucros, comecei a cobrar juros sobre juros. E foi assim que tudo começou…
    — Bedel, conseguiu me convencer que o empréstimo da chave era uma prova… de amizade.
    — Ao menos uma vez… consegui provar que quem tem mais do que precisa ter, quase sempre se convence que não tem o bastante.
    — Exatamente, Bedel. Uma sociedade de monstros como a nossa, se apoia na confiança mútua. Mas saiba bem: todo funcionário público que se comporte de maneira indecorosa merece um puxão de orelhas…
    — Puxão de orelhas, senhor?

  4. — Quantas pessoas fazem parte desse seu pequeno clube de malas sem alça?
    — Só uns quatro.
    — Podemos ficar orgulhosos dessa percentagem tão baixa de adesão. Isso não quer dizer nada. Quatro ou cinco notas falsas dentro da caixa… ou enfiadas no meio mala… Bobagem! Não influenciam na contagem final! Mas se isto aumentar…
    — Não aumentará! Acredite. Não voltará a acontecer, senhor! Ninguém usará mais o meu apartamento.
    — Não vamos extrapolar! Não diria tanto. Onde fica seu apartamento?
    — Aqui perto. Não tem ideia do que tenho passado com os vizinhos, o zelador e a chave.
    — Como faz com a chave?
    — Eu entrego em mãos. Depois de usar o apartamento… o usuário a coloca na frente da porta, sob o tapete.
    — Essa é rotina da malandragem?
    — Não acontecerá mais, eu prometo.

  5. O ramal do chefe toca. A secretária do outro lado da porta, está na linha:
    — Sim, senhorita?
    — Sua esposa na linha dois. O senhor atende?
    — Quem? Ah… está bem, transfira, senhorita… — confirmou, com a voz melodiosa — Alô, querida? Onde estava? Levou o Júnior ao dentista? Ótimo, ótimo. Espere na linha, mozão. Vou te colocar na musiquinha…

    O colaborador, na moita, tentava sair de fininho:
    — Aonde vai, Bedel?
    — Não quero atrapalhar. Como está tudo conversado e esclarecido…
    — Sente-se de novo. Fica! Ainda não acabei com você, suíno!
    — Vejo que decorou o meu apelido de escola…
    — Olha, amor, hoje à noite não vou jantar em casa. O José Matusalém do Maranhão está aqui. O velhinho xarope e gagá, ele mesmo. Vou levá-lo ao teatro. Vamos ver o Bolshoi. Fazer o quê? Uma boa ação de vez em quando, infelizmente, não faz mal a ninguém! Não, não me espere acordada, viu? Isso, mesmo… querida.

  6. O velhote desliga. Semblante leve e risonho para o subordinado.
    — Diga-me, Bedel. Conhece o Bolshoi?
    — Não, senhor. É amigo seu?
    — O grupo russo, meu caro!
    — Não gosto do grupo do russo, chefe.
    — É o grupo de balé. Espetáculo de dança. Bailarinas, homem!
    — Ah, que ótimo, ótimo. Quase excelente.
    — Gostaria de assistir, seu ladrão de bordões?
    — Claro! Um dia, talvez.
    — Essa noite?
    — Com o senhor? Pensei que iria levar o Matusalém para ver o espetáculo de dança.
    — Não, eu tenho outros planos. Já coloquei a múmia e a cinderela para dormir. Quer as entradas ou não?
    — Muito amável de sua parte. Mas, não me sinto bem. Vou direto para a cama.
    O chefe avermelhou-se todo de raiva:
    — Bedel, você não me entendeu. Disse que tenho outros planos!
    — Eu também. Vou tomar duas aspirinas e um antigripal e me jogar na cama.
    — Você é jovem e inexperiente, vou lhe dar uma colher de chá. Aceite conselhos de alguém mais esperto do que você.
    — Está certíssimo, excelência. Chá quente, está nos meus planos, também. Melhor dar essas entradas do balé… para outra pessoa.

  7. — Olhe, Bedel, não vou lhe dar essas entradas e sim… trocá-las.
    — Trocá-las? Pelo quê? Meu limite do cartão está estourado, chefe.
    — Aqui na sua ficha de avaliação diz que você é esperto, astuto e também com muita imaginação.
    — Exageraram, chefe. Sou apenas leal, manipulável e prestativo.
    — Não queria te contar, mas… haverá recolocação no ministério, no mês que vem.
    — Puxa, chefe, é mesmo? Já?
    — No que me diz respeito, você é um sério candidato ao maior cargo. Pelo seu… destaque!
    — Como é que é?
    — Agora… me dê essa chave do apartamento. E anote o endereço. Não tenho o dia todo. Tenho duas malas novinhas em folha, cheinhas, me esperando lá fora.
    (…)

  8. Esse Fraquim não me engana. Porque até agora ele não mandou investigar o Rocha Loures (que ele soltou). Será que é verdade que a mala com 500 mil era para pagar pela marcação da reunião com o Temer. Se o Loures confirmar, toda denuncia desaba. Assim é melhor não investigar para não ser desmoralizado. Lá se vão 5 meses e nada de interrogar a peça chave da denuncia contra o Temer. Muito estranho.

  9. Eh aqui que mora o perigo. Cada gesto ou atitude dessa pgr, durante o curso dessas investigacoes sobre o amigo de mais de 30 anos do temer, eh que vai nos mostrar a verdadeira cara dessa senhora que também foi avalizada pelo gilmar beiçola

  10. “poderá voltar a investigar os 51 milhões…”
    Em nenhum lugar do mundo esse assunto seria tratado com tanta lentidão!
    STF/VergonhaNacional + PGR = judiciariozinho dos cambau!
    51 milhões estocados num apto com a Saúde, Educação, Segurança, etc., necessitando de 50.000,00 – 100.000,00 – etc… É o maior escândalo do UNIVERSO!

  11. Kkkkkkkkkk….”eu quero o moro em todos os processos da orcrim”…Então isso é para o moro livrar e blindar os tucanos, peemedebistas e aliados delatados por corrupção por delatores e blindados pelo moro, se o bunker do geddel for parar nas mãos do moro é blindagem à vista.

    1. Você é muito tonto. Escreveu no post errado! Este é o post da Dodge, que nunca será Scania, nem Mercedes, nem Ford, nem Chevrolet.

  12. Esse caso é a prova que nosso Judiciário não é interessado em punir “alguns casos” uma aberração dessa 51 milhões em espécie, sendo tratada como bola de tênis. Em qualquer republiqueta de 5° categoria, já saberiam tudo sobre essa montanha de propina. Aqui fica, vai/não vai/não vai/vai/ acaba ficando. São todos de uma certa forma CÚMPLICES!

  13. Dependendo da Dodge?
    A maior apreensão de dinheiro ilícito em todos os tempos no país está parada a investigação?Generais deste Brasil Varonil, quando é que vamos nos livrar desses quadrilheiros para sempre?
    O desânimo é muito grande vendo esses criminosos governando esta nação!

  14. O brasileiro é o povo mais burro do planeta:

    http://midiasemmascara.org/artigos/destaques/o-atentado-em-las-vegas-e-a-enquete-canalha-do-g1-nao-deixem-de-boicotar-e-denunciar/

    Não duvide.

    1. Tô torcendo pela candidatura dele!!
      O povo finalmente vai mostrar o que pensa de criminosos.
      Perde até para presidente de presídio,pois rouba do próprio partido.