O buraco negro da política brasileira forma e engole a maçaroca bolsopetista

O presidente da OAB, o petista Felipe Santa Cruz, explicou a Claudio Dantas a sua aproximação com Flávio Bolsonaro:

“No fundo, é uma conversa minha com o Flávio, para abrir diálogo. Temos mantido contato por telefone e nos falamos na indicação do Kassio, que foi apoiada por toda a advocacia.”

E ainda:

“A Ordem não é situação, nem oposição. É liderança da sociedade civil na defesa da Constituição. No episódio do desembargador Kassio, a Constituição Federal foi atendida, ele preenche os requisitos. Aplaudo da mesma forma que critico; com independência e sem agressões.”

Não se trata de diálogo construtivo, mas de conversa em torno de interesses comuns, que passam pela neutralização da delação de Orlando Diniz, ex-presidente da Fecomércio do Rio de Janeiro, que acusa escritórios de advocacia de receberem um Everest de dinheiro desviado do Sistema S. Para além da defesa corporativa dos colegas de profissão, Felipe Santa Cruz teve o seu nome citado na delação — o que não significa necessariamente culpa, mas sem dúvida é incômodo. Liquidar com a Lava Jato que interessa está no cardápio da família Bolsonaro: é o que também lhe garante apoio no Centrão e entre integrantes das cortes superiores. Como o caso da rachadinha do senador Flávio Bolsonaro pode ir parar no Supremo Tribunal Federal, ele e Felipe Santa Cruz unem-se para fortalecer a indicação de Kassio Marques, advogado de carreira que ascendeu no Judiciário via Quinto Constitucional e está “100% alinhado” com Jair Bolsonaro.

Foi Flávio quem levou ao seu pai o nome de Kassio Marques para a vaga de Celso de Mello no STF, confiante de que todos eles ainda vão dividir muita Tubaína — e Felipe Santa Cruz provavelmente acredita que o novo ministro sempre tomará as dores da advocacia, o seu berço profissional, bem como dos petistas sem beca enrolados com a Justiça. Os novos amigos de infância exemplificam à perfeição o fenômeno do bolsopetismo.

Os ganhadores do Prêmio Nobel de Física deste ano são o inglês Roger Penrose, a americana Andrea Ghez e o alemão Reinhard Denzel. De acordo com o comitê que os escolheu, “Roger Penrose mostrou que a teoria geral da relatividade leva à formação de buracos negros. Reinhard Genzel e Andrea Ghez descobriram que um objeto invisível e extremamente pesado governa as órbitas das estrelas no centro de nossa galáxia. Um buraco negro super massivo é a única explicação atualmente conhecida.”

Jamais ganhamos um Nobel, mas conhecemos bem um buraco negro. Enquanto o que ocupa o centro da Via Láctea é hipótese provável, o que está no centrão do sistema político brasileiro é visível: a sua força gravitacional é tanta que amalgama e engole os que um dia se apresentaram como opostos entre si e capazes de escapar do buraco negro. Ao final, como sempre, tudo vira uma maçaroca super massiva.

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