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O caso da deputada Geovania de Sá e o voto evangélico no gay Eduardo Leite

A parlamentar passou a receber represálias após declarar apoio ao governador gaúcho; pastor gravou vídeo chamando o pré-candidato de "homem indigno"
O caso da deputada Geovania de Sá e o voto evangélico no gay Eduardo Leite
Reprodução/redes sociais

A cúpula do PSDB e os entusiastas da chamada Terceira Via estão acompanhando com atenção os desdobramentos de um polêmica envolvendo a deputada federal tucana Geovania de Sá.

Filha de pastor, conservadora e eleita duas vezes por Santa Catarina com o apoio da Assembleia de Deus, Geovania declarou apoio a Eduardo Leite nas prévias do partido para a escolha do candidato tucano ao Planalto em 2022.

No início deste mês, Geovania, presidente estadual do PSDB, se reuniu com o governador do Rio Grande do Sul e lideranças da legenda em Florianópolis e, ao anunciar o apoio, apresentou Leite como “grande amigo e futuro presidente do Brasil”.

Não demorou para que a deputada começasse a ser atacada por “movimentos de direita”.

“Alô, cristãos de Santa Catarina! A deputada Geovania de Sá sempre se elegeu às custas do povo evangélico e declarou apoio ao Eduardo Leite. Parabéns, deputada, você é mais um joio no meio do trigo”, espalhou nas redes o Movimento Direita Sul.

Mas não foi só isso.

O pastor Valdir Paulino, da Assembleia de Deus em Criciúma, base eleitoral da tucana, gravou um vídeo anunciando que o caso seria levado para a cúpula da igreja, para que fosse revisto o apoio dos evangélicos à reeleição da deputada em 2022.

Na gravação (assista abaixo, se quiser), o pastor, de pijama, sem nominar o governador do Rio Grande do Sul, se refere a Leite como “homem indigno”, “homem desse tipo” e “corrupto”. Leite se declarou gay recentemente.

“Eu lamento, Geovania, você não merece que eu me apresente com dignidade, porque você era uma ótima deputada federal para nós. Você manchou a tua vida política. Você não manchou nós, da Assembleia de Deus, você manchou você mesma, quando declarou o teu apoio a um homem indigno.”

O pastor ainda diz, no vídeo, que a deputada precisa pedir perdão à Assembleia de Deus e acrescenta que ela “morreu, acabou”.

“Para mim, você morreu, acabou. Vamos pedir a todos os pastores de Santa Catarina que repudiem a tua atitude, para que, na próxima eleição, se tu for viva e tiver coragem de entrar novamente, tu vai ver o que o povo das igrejas evangélicas de Santa Catarina vai fazer com você nas urnas. Você vai passar vergonha. Eu espero que nem para vereadora você venha a se eleger mais. Você assinou, decretou a tua morte política. Ligue para mim para pedir desculpas por esse teu erro gravíssimo, vergonhoso, que você acaba de fazer declarando o seu apoio para a Presidência da República a um homem desse tipo, que declarou quem ele é no Rio Grande do Sul e no Brasil.”

O tal pastor conseguiu o que queria: após esse vídeo, a Convenção das Igrejas Evangélicas Assembleia de Deus de Santa Catarina e Sudoeste do Paraná divulgou uma nota confirmando a suspensão do apoio à reeleição de Geovania de Sá no ano que vem, mexendo no xadrez das candidaturas evangélicas no estado.

A situação chegou até ao líder da bancada evangélica no Congresso, o deputado Cezinha de Madureira (PSD), que é apoiador de Jair Bolsonaro. Ele também divulgou uma nota, criticando a postura da igreja em Santa Catarina.

“Surpreendidos formos com a informação, de que nossa irmã em Cristo deputada federal Geovania de Sá (PSDB-SC) recebeu notificação de suspenção do apoio convencional à sua pré-candidatura à reeleição no estado de Santa Catarina. (…) Entendemos não haver justa causa para a suspensão do apoio convencional por suas opiniões ou atuação parlamentar”, diz trecho da nota.

A reação dos fiéis locais — muitos já saíram em apoio à deputada — está sendo monitorada por lideranças do PSDB. O caso é encarado na cúpula do partido como um termômetro para o potencial de voto de Leite entre evangélicos mais conservadores.

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