O chavismo do PT

O Globo, em editorial, rejeita a tentativa de se enterrar a Lava Jato com uma reforma política:

“No momento, à medida que avançam as revelações em torno da segunda lista do procurador-geral Rodrigo Janot, maquinam-se no Congresso, onde está boa parte dos atingidos pelas delações da cúpula da Odebrecht à Lava Jato, maneiras de livrar políticos de acusações de corrupção.

Há tentativas variadas de uma imoral anistia do uso de caixa 2 — criminalizado nos Códigos Eleitoral e Penal —, e até faz-se o relançamento da reforma política, modelada sob medida para esconder dos eleitores, em 2018, parlamentares apanhados pela Lava Jato e que buscam a reeleição. É para isso que se volta à ideia inaceitável do sistema de votação em lista fechada. Por forçar o eleitor a abrir mão do direito de escolher o candidato, poder depositado nas mãos dos caciques partidários. O objetivo é encobrir acusados na Lava Jato e outros companheiros malquistos junto ao eleitorado (…).

Como já aconteceu no período de Lula na presidência, petistas defendem a ilegal proposta de uma Constituinte exclusiva, para mudar as regras eleitorais e de regulação da vida partidária.

O PT importou este modelo de Constituinte do regime bolivariano de Hugo Chávez, na Venezuela. Chávez aproveitou a primeira vitória eleitoral com grande apoio para lançar um plebiscito a fim de viabilizar uma Constituinte, e conseguiu. Assim, lançou as bases ‘legais’ de um regime autoritário, hoje em fase terminal.

Deve-se é manter a serenidade e, com equilíbrio, fazer poucas mudanças capazes de reoxigenar o sistema político-eleitoral: cláusula de desempenho, para acabar com a pulverização de partidos, e fim das coligações em pleitos proporcionais, para que o eleitor não tenha seu voto destinado a quem sequer conhece. Dessa forma, partidos sem votos tendem a perder importância, como deve ser na democracia”.